segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Denisa canta, hoje, no Portugal no Coração

A pouco mais de quinze dias da sua participação no Festival da Canção, Denisa Silva vai, hoje, ao Portugal no Coração interpretar três músicas.
Denisa Mara Silva tem 28 e é natural do Porto Santo, Madeira.

Participou no mais recente "caça talentos musicais", o Operação Triunfo, tendo ficado em 5º lugar.
A” menina do mar” de Porto Santo é uma mulher cheia de força, muito faladora, faz tudo com muita intensidade.

Viveu quase sempre na ilha do Porto Santo.

Já adulta estudou um ano na zona do Porto e não gostou, voltou ás suas ilhas, para terminar o curso de educadora de infância.

Foi professora de expressão dramática e musical do 1º ciclo por 3 anos, no Funchal.

Adora crianças, mas gosta ainda mais de cantar e por isso resolveu dedicar-se 100% à música.

Sendo filha única tem uma relação muito forte com o pai.
A Denisa tatua aquilo que considera importante no corpo, a sua estrela da sorte, a palavra amizade em caracteres chineses, um trevo com o número 7, o seu número da sorte.

Sempre fez desporto, primeiro, patinagem e depois hóquei...ao longo da vida partiu as duas pernas...mas foi o desporto que a fez viajar por todo o país e alargar os seus horizontes.

Emissão em directo na RTP1 e RTP Internacional, hoje pelas 15h.

Poesia em debate nas Correntes d'Escritas


Poesia: a bem dita e a mal dita


Moderada por Luís Machado, com a participação de Filipa leal, Janet Nuñez, Jorge Sousa Braga e Teresa Rita Lopes, a mesa “Poesia: a bem dita e a mal dita” prestava-se a levar os participantes por vários caminhos.

Desde logo, e para quem ouve, as diferentes interpretações do bem dita, ou bendita, mal dita, ou maldita. Interpretações essas que remetem para o aspecto sonoro da poesia, para a importância da forma como ela é dita e assim transmitida a quem a escuta, em vez de a ler. Portanto, se escrever poesia não é fácil, dizê-la é, para muitos, também uma tarefa difícil, podendo mesmo interferir na forma como ela é recebida e apreciada por quem a ouve, e foi por aqui que partiu a abordagem do tema em debate.
Habituada a ler em público poesia, Filipa Leal analisou a importância da interpretação, afirmando que a poesia oferece essa possibilidade sonora de entender o mundo e que se “poesia rima com melodia, essa melodia precisa de ser dita”. E, a este propósito, citou Torga e esse poema em que ele diz:
“Não tenhas medo, ouve:
É um poemaUm misto de oração e de feitiço...Sem qualquer compromisso, Ouve-o atentamente,De coração lavado”
Quando soube do tema da mesa em que ia participar, Janet Nuñez confessa que foi remetida para as suas memórias de infância, quando, na escola, era obrigada a decorar poesia para recitar no final do ano lectivo ou em dias festivos, como o dia da Mãe. E, recorrendo às palavras de Garcia Lorca, na sua Teoria y Juego del duende, aqueles poemas “aborreciam-nos tanto que estiveram a ponto de se converter em pimenta de irritação”. Depois, segundo a poetisa colombiana, o tema remeteu-a também para os poetas malditos, como Mallarmé, Rimbaud ou Verlaine, e para os benditos, que, na história da Literatura, estão catalogados como poetas místicos.
Mas foi a importância do ritmo e do som que Janet sublinhou porque, para ela, “a poesia bem escrita não tem a ver com a ortografia, nem com a escolha de palavras rebuscadas, nem tão pouco com o uso adequado da gramática ou com o uso da rima, mas sim com o ritmo, o tom, uma cadência adequada e um selo pessoal, que é a visão do poeta, o reflexo do seu mundo e das suas circunstâncias.”

Para Jorge Sousa Braga, a poesia começou por ser oral e, ao longo dos tempos, nunca deixou de ser lida e cantada, tendo a voz humana permanecido como o fio condutor mais perfeito da poesia. Remetendo para a actualidade e para as novas tecnologias, Sousa Braga referiu a existência de páginas na Internet em que é possível ouvir interpretações de poesia, mas, para ele, há algo no poema que só a voz de quem o escreve pode transmitir, independentemente de ser bem ou mal dito.

Para concluir afirmou que “Um poema bem dito é o que nos entra directamente no coração”. E nós, que só o ouvimos, podemos atrever-nos a perguntar: bem dito ou bendito?
Servindo-se da sua experiência como professora primária, Teresa Rita Lopes lembra como há alguns anos não havia criança que não soubesse um ou mais poemas de cor. E essa memorização era incitada nas escolas e nas famílias, quando era hábito chamá-las para declamarem o que sabiam de cor.

Memorizar poemas, dizê-los, aprender a apreciar a sua sonoridade é, para Teresa Rita Lopes, fundamental porque a poesia também tem uma tradição oral, porque a palavra aspira a ter um corpo de sonoridades, a ser dita e a ter ritmo. E, se tal se aplica à poesia, poderá também aplicar-se à prosa.
Lembrando que, saber de cor é saber com o coração e incorporar o que se sabe, Teresa Rita Lopes, recordou António Aleixo e a forma como tanta gente sabe, ainda hoje, de memória, algumas quadras de um poeta que, afinal, quase não sabia escrever.

Essa proximidade que a poesia pode ter com quem a lê, memoriza, declama, com os mais jovens que actualmente se esquecem que, as letras das canções que sabem de cor são afinal, também elas, poesia.

Mia Couto com alunos da Póvoa do varzim


Mia Couto conta e encanta


Mia Couto iniciou a sua conversa com os alunos da Escola Secundária Eça de Queirós, esta manhã, dando um conselho: “conservem sempre o vosso lado de crianças e a capacidade de se encantarem com uma boa história. Eu sou uma pessoa feliz porque tenho a capacidade de transformar a minha vida em pequenas histórias”.

O escritor moçambicano encantou os jovens estudantes com “o seu charme”, como os próprios confidenciaram, contando histórias do seu percurso e da sua terra.
Quanto à sua outra actividade, a biologia, Mia Couto brincou afirmando que “sou muito mau biólogo. Não confiem em mim. A biologia atrai-me, não pelas respostas exactas, mas pelas dúvidas que suscita e, a escrita, tem essa mesma inquietação da procura por soluções”.

Depois de publicar um livro, o escritor conta que “nem sequer me lembro das personagens”. Depois de viver dois ou três anos cada personagem, o tempo para escrever uma obra, Mia Couto necessita de se desligar das pessoas que o acompanharam durante esse período. O escritor explicou que “quando crio uma mulher, não basta pensar como uma mulher. Tenho que ser uma mulher. E já fui muitas mulheres na minha vida”.


André Sant’Anna também esteve presente nesta conversa com os alunos. O escritor contou que o seu pai era escritor e a sua mãe música. Como “o meu pai ficava muitas horas fechado no quarto a escrever, a sofrer com as suas personagens, e a minha mãe a divertir-se com a sua música, eu nunca quis nada com a literatura e sempre quis ser músico”. Brasileiro, André Sant’Anna brincou que “aproveito estes momentos para dizer mal do Brasil. Muitas pessoas têm a ideia de que o meu país é apenas pobre financeiramente, mas o Brasil está empobrecido culturalmente. Somos quase obrigados a ter relações sexuais e perde-se a noção do que é o amor e a amizade verdadeira e é isto que os meus livros retratam”.

Pedro Teixeira Neves, o terceiro escritor e o único português, presente nesta conversa, explicou que “escrever para mim é uma inevitabilidade”, mas “só na faculdade é que comecei a escrever. Até aí só me interessei por futebol e por música”.





Os mais pequenos em Correntes d'Escritas


Conta-me um Conto


Foi uma das novidades nesta nona edição do Correntes d’Escritas, que no seu programa de actividades paralelas inclui uma mesa destinada a alunos do 4º ano do 1º ciclo de Ensino Básico da Póvoa de Varzim.


Sob o tema “Conta-me um conto”, Cristina Norton, Ondjaki, Rui Grácio e Vergílio Alberto Vieira reuniram-se esta manhã no Diana Bar perante uma plateia de 125 alunos das EB 1 nº 2 dos Sininhos, nº 3 do Desterro, nº 1 de Refojos – Aver-o-Mar e nº 1 Praça – Rates.


Rui Grácio fez uma pequena apresentação baseada no texto da sua nova obra Olá, eu sou um Livro, e que será apresentado hoje, às 17h00, na Casa da Juventude.

Com ela, as crianças partiram à descoberta do livro, através da personagem Emília, que depois de conhecer um livro esquecido numa estante entre muitos outros, o decidiu levar para casa. Uma lição para os mais novos que o ouviam atentamente, e a quem Rui Grácio explicou ainda a importância da sensibilidade não só para a leitura, mas também para a vida.


Também Cristina Norton aproveitou uma das suas obras infanto-juvenis para falar com os alunos. Um Barco de Chocolate foi o ponto de partida para a visita de muitos contos que a autora escreveu, transportando os alunos para um mundo de magia, sempre presente na literatura infantil. De nacionalidade argentina, a viver em Portugal há vários anos, mas com raízes um pouco por todo o mundo, Cristina Norton explicou que Um Barco de Chocolate é mais do que o nome do livro, é uma recordação da sua infância, pois seu pai dizia que um dia iriam viajar para a Europa num barco de chocolate.


O riso e as gargalhadas chegaram com a intervenção de Ondjaki, que questionou os alunos sobre qual era o conto mais curto do mundo. “O conto mais curto do mundo é este: Era uma vez… e acabou”, desvendou, explicando depois que neste conto há espaço para muito mais, pois podemos acrescentar elementos à história, saber o que aconteceu e como acabou. Foi este o ponto de partida para os alunos construírem os seus próprios contos, partindo apenas de uma palavra. De conto mais curto do mundo, a estória ganhou conteúdo, imaginação, através da interacção com os alunos. “Escrever um conto é aumentar o que vimos, o que ouvimos e o que sonhamos”, concluiu.

Da mala de Vergílio Alberto Viera saltou um sol e na mesa nasceu uma flor para acompanhar a leitura de um conto sobre a Abelha Giroflé. O conto foi desvendado em primeira mão para os alunos presentes, pois faz parte de um livro que ainda não foi lançado e que Ondjaki irá ilustrar.
Seguiram-se as perguntas por parte dos alunos, que perderam a timidez e até poemas declamaram. Assim, ficaram a saber que Ondjaki gostou muito de escrever Ynari, a menina das 5 tranças (livro que todas as crianças conheciam) e que o seu nome verdadeiro não é Ondjaki, antes outro que é segredo indesvendável. Souberam também que Rui Grácio começou a escrever em 1993, que Cristina Norton escreve contos infantis porque, já depois de os filhos crescidos, sentiu necessidade de escrever para outras crianças e que Vergílio Alberto Vieira deve a seus pais a sua dedicação à escrita, pois incentivaram-no à leitura quando ainda era muito novo.
Terminadas as perguntas, foram muitas as crianças que, de livros na mão, esperaram pelos autógrafos dos escritores.





Filme brasileiro na Póvoa do Varzim


Netto e o Domador de Cavalos



Em “Neto e o Domador de Cavalos”, Tabajara Ruas retoma a história do herói brasileiro do século XIX, António de Souza Netto, que esteve na origem do livro “Netto perde a sua Alma”, escrito por Tabajara e adaptado por ele mesmo para o cinema, em 2001.


Depois de “Netto perde a sua Alma”, explica o escritor, “a personagem ficou tão grande que tive que fazer este segundo filme, ‘Netto e o Domador de Cavalos’ e estou já a trabalhar num terceiro, porque gostaria de fazer uma trilogia em torno dele, e que já tem título, será ‘Netto nos Braços da Moura’”.

Na Póvoa para participar na nona edição do Correntes d´Escritas, Tabajara Ruas fala com orgulho do segundo filme da saga de Netto que, como explica, não se baseia, desta vez, num livro, resultando antes de um guião especificamente escrito para o cinema.

E neste “Netto e o Domador de Cavalos”, o autor explora um lado totalmente ficcional da vida do herói farroupilha. Como revela Tabajara Ruas, a história une dois personagens de mundos diferentes: “o real, que é Netto, e o Negrinho do Pastoreio, personagem da mais popular lenda do Rio Grande do Sul”. Nesta história explora-se, pois, o lado ficcional e a mistura entre a realidade e a lenda, uma tendência que se há-de repetir no terceiro filme, do qual Tabajara Ruas não quer ainda revelar muito mais.


“Netto e o Domador de Cavalos” retoma, pois, o herói farroupilha, o general António de Souza Netto, que participou em todas as guerras de fronteira no sul do Brasil, no século passado. Um republicano, segundo Tabajara, contra a escravatura e o império numa época em que o Brasil era ainda o único império esclavagista na América do Sul de 1835.
O romance “Netto perde a sua alma” deu origem a um filme que ganhou quatro kikitos, no Festival de Cinema de Gramado 2001, o maior festival de cinema do Brasil e América Latina e o filme que agora passou na Póvoa é a sua continuação.
Antônio de Souza Netto, general brasileiro, descendente de emigrantes açorianos, é ferido durante a Guerra do Paraguai (1861-1866) e recolhido ao Hospital Militar de Corrientes, na Argentina, onde viria a falecer.
Apesar de tantas batalhas, o guerreiro, com porte de herói galante, encontrou tempo para casar, ter duas filhas e cuidar de sua estância em Piedra Sola, distrito de Tacuarembó, no Uruguai.




Correntes d'Escritas não param na Póvoa do Varzim







“Escrever é um Gesto Perverso”



Literatura e perversão – ligação possível ou impossível? Foi este o desafio para a 4ª mesa de debate do Correntes d’Escritas, que teve como tema “Escrever é um Gesto Perverso”.


Com moderação de Carlos Quiroga, a mesa ficou marcada pelo espanto e estranheza que tal tema colocou e que obrigou a alguma pesquisa por parte de todos os participantes, a saber Adolfo García Ortega, André Sant’Anna, Eugenia Almeida, José Norton e Mário Pinheiro.


Num primeiro momento esta ligação entre literatura e perversão parecia impossível para García Ortega, pois, na sua opinião, a literatura é algo de transparente e a perversão algo de obscuro. Uma segunda análise, já a nível etimológico, permitiu ao escritor espanhol chegar a uma outra conclusão: por definição no dicionário, perverso significa algo de mau e viciante e também diz respeito a algo que é alterado negativamente. Ora, se escrever é viciante e ler implica a alteração da conduta, então Escrever é um Gesto Perverso.
Também Eugenia Almeida investigou a palavra perverso. Primeiro através do dicionário, depois na literatura ligada à psicanálise (onde tudo é perverso e “e as palavras nunca significam o mesmo que para o resto dos mortais”, disse) e finalmente, junto de um amigo especialista em etimologia. Foi ele que lhe deu, como definição de perverso, “tomar algo e dar a volta”, algo que, de facto, acontece na literatura, “um mundo de possibilidades, onde posso corrigir, inventar palavras, voltar atrás.”
Tal conclusão teve a concordância de José Norton, cuja experiência literária passa, em grande medida, pela elaboração de biografias, trabalho que pede um grande esforço de investigação. E é neste trabalho que José Norton vê perversidade, ao dar a volta “a ideias feitas que tenho encontrado em biografias que eu, através da minha investigação, concluo que não foi bem assim. Passo a ideia real, dou a volta às coisas”.
Na mesa participou ainda André Sant’Anna, cuja obra está marcada pela temática da sexualidade, que alguns vêem como perverso. “Mais do que a literatura é a arte que perverte a cultura” disse, “e a cultura tenta impor um formato”.

A fechar a mesa, Mário Pinheiro confessou também a sua estranheza face ao tema, um bom sinal, referiu, pois “estranhar é começar a compreender as coisas”. Conclui, então que “não há perversidade no simples acto de escrever, poderá é haver subversão”, identificado a perversidade não na literatura em si própria mas na comercialização da mesma: “a perversidade consiste no encher dos bolsos à custa da ingenuidade dos outros”, afirmou.






Mais uma edição de Correntes d'Escritas


" Sou do Tamanho do que escrevo"


Com um Auditório Municipal mais uma vez cheio, Miguel Real, José Eduardo Agualusa, Isabel da Nóbrega, José Manuel Vasconcelos, Eduardo Mendoza e Carme Riera partiram por vários caminhos para perceber se “Sou do tamanho do que escrevo”.


Abrindo o debate à mesa, José Manuel Vasconcelos tentou subverter o tema, afirmando que, para ele, deveria ser “escrevo com o tamanho que tenho e não, sou do tamanho do que escrevo”.

O moderador acrescentou ainda que, para ele, a frase faria mais sentido na terceira pessoa, isto é “o escritor é do tamanho do que escreve”.
Para Miguel Real, o tema não causou qualquer problema, uma vez que, como afirmou, não o analisou na primeira pessoa, tendo feito exactamente o raciocínio proposto por José Manuel Vasconcelos, isto é, considerando que, nomeadamente no caso de grandes nomes da literatura, os escritores são do tamanho da sua obra e da sua escrita.

Como exemplo lembrou Padre António Vieira, Camões e Fernando Pessoa, que, nas suas vidas pessoais conheceram a frustração e não foram casos de sucesso quanto à construção dessa mesma vida, mas que são percepcionados pela dimensão e valor da sua obra.

Para nós serão, portanto, do tamanho do que escreveram.


Isabel da Nóbrega resolveu pegar no tema por outro ponto de vista, considerando que “sou do tamanho do que leio e não do que escrevo”.

Com esta subversão do tema , Isabel da Nóbrega tentou demonstrar a importância da leitura para a construção do escritor, colocando-a, mesmo na origem de tudo. A partir daqui considerou, “se a obra for boa, o escritor é grande, se não o for, então o escritor será um escritor menor”.


Carme Riera pegou também na questão da leitura, afirmando que “somos o que lemos”.

E, quanto ao processo da escrita, lembrou a intervenção de Susana Fortes, na última mesa da tarde, que tinha descrito o processo por que passa o escritor enquanto cria ma obra. Um processo em que o escritor vive com um pé na realidade e outro no mundo que está a criar, vivendo permanentemente com a obra dentro de si.

Para Carme Riera, o escritor é, então, “aquilo que escreve e não do tamanho do que escreve”.

E por fim deixou a questão: “de que tamanho seríamos se não fôssemos escritores?”.

Para José Eduardo Agualusa “qualquer livro, sendo bom, é maior do que o seu autor”, o que significa que, para o escritor, a obra assume, desde logo, o papel principal na equação. Para ele, o escritor é quase um personagem da sua própria obra, sendo também todos os outros que vieram antes dele e que o fizeram escritor.


Eduardo Mendoza fechou a mesa de debate recorrendo ao humor das histórias que resolveu partilhar com o público e que arrancaram bastantes gargalhadas e aplausos. E, para o escritor, a questão é muito subjectiva porque “o tamanho e o talento individual são questões muito relativas”.

Para o provar afirmou que “não quero pensar que sou do tamanho do que escrevo, porque teria que me pôr cima da mesa, de pé, para que vocês me vissem.”

O Fotógrafo dos Escritores na Póvoa do Varzim


Daniel Mordzinski,

o fotógrafo dos escritores.



O Auditório Municipal recebeu, esta tarde, uma apresentação fotográfica multimédia onde estão espelhados 30 anos de trabalho, onde estão incluídas muitas das imagens recolhidas durante as três edições do Correntes d'Escritas em que já participou.

A selecção das fotografias, cerca de 150, não é fácil. “É injusta e quase arbitrária, já que é impossível sermos justos quando temos milhares de fotografias”, confidenciou o fotógrafo.

Então, nesta apresentação, Mordzinski incluiu imagens daqueles escritores que são ícones na literatura e imagens “simplesmente gosto”.
O fotógrafo argentino é dotado de uma especial sensibilidade para captar a verdadeira essência da criação literária e comenta: “Não se pode fotografar escritores sem amar a literatura”.
Acerca do Correntes d'Escritas e da sua participação nesta edição, através desta apresentação, Daniel Mordzinski afirma que pretende devolver um pouco de tudo aquilo que o Encontro lhe proporciona.

Para o fotógrafo, o termo Correntes é o mais apropriado, já que a palavra lembra energia, paixão, sentimento e trabalho.

Correntes d'Escritas apresenta novos livros


A Neblina do Passado, de Leonardo Padura,

e Maurício ou as Eleições Sentimentais, de Eduardo Mendoza,

foram apresentados no Correntes d´Escritas.


Leonardo Padura é um escritor cubano, a residir em Cuba, que tem praticamente toda a sua obra traduzida para português e o mesmo se passa com Eduardo Mendoza, escritor espanhol que, desde o final dos anos 70 tem obra publicadas em Portugal.


Se Mendoza vem, pela primeira vez ao Correntes d´Escritas, Padura não é um estreante e, para falar do seu livro, coisa que, segundo ele, é um dos exercícios mais difíceis que existe, começou por afirmar, com piada, que “quando um cubano fala devagar, está a falar português”. E foi neste seu “português” recém-adquirido, que o escritor explicou que A Neblina do Passado é realmente o regresso de Mário Conde, personagem recorrente nos seus romances policiais. Só que este já não é um romance policial. Mário Conde deixou de ser polícia e decidiu abrir um pequeno negócio de compra e venda de livros antigos, o que o vai levar de encontro à literatura cubana do século XIX e, mais concretamente, à descoberta de um livro onde um personagem feminino vai tomar conta do seu imaginário. É esta mulher, cuja história ele tenta seguir, que o vai levar numa viagem pela Havana dos anos 50 e pela Havana contemporânea. As noites da capital cubana, os boleros, a dança, o fascínio de uma época do passado, tudo isso povoa este livro de Leonardo Padura, que, para o romance trouxe ainda o sentimento de derrota e desencanto da sua geração e daqueles que, ainda assim, e tal como ele, decidiram permanecer em Cuba e aí continuar a escrever.
Para falar do seu livro, Eduardo Mendoza decidiu começar pelo título: Maurício ou as Eleições Sentimentais. Um título, segundo ele estranho e que nem ele próprio sabe se entende muito bem. Se a acção se desenrola em Espanha, a Espanha dos anos 80, onde já se consolidou a democracia, a história pode bem situar-se em qualquer outro país, uma vez que o romance lida com, como referiu Mendoza, “a aprendizagem da normalidade”. Essa aprendizagem da passagem à idade adulta, quando morrem os sonhos da adolescência.

Segundo o autor, Maurício ou as Eleições Sentimentais é a história de personagens jovens e das suas escolhas de vida, quando supostamente se tomam decisões, mas, na realidade essas decisões até nem nos pertencem a cem por cento, sendo antes um produto de toda a envolvente social e até familiar. O livro trata, pois, tendo como pano de fundo a Espanha dos anos 80, das transições pessoais e colectivas e a pergunta final é: o que aconteceu às esperanças, aos projectos de vida, aos projectos de mudança da vida de cada um e até do país em que se insere? O que acontece aos sonhos que têm que morrer nessa “aprendizagem da normalidade” que implica a passagem para a vida adulta?

" Histórias de Luanda" nascem na Póvoa do Varzim


Oxalá cresçam pitangas



De um verso do poeta angolano António Gonçalves saem estas “Histórias de Luanda”, com o travo agridoce das pitangas.

As pequenas e garridas pitangas, vermelhas cor de sangue, cor de vida.

Fruto tão popular nas ruas e nos quintais de Luanda e que, no filme de Ondjaki e Kiluaje Liberdade são a imagem de uma nova capital e de um novo país que se constrói e reinventa; das novas gerações; de uma nova esperança.
É a realidade da sociedade angolana, representada nas histórias dos habitantes da capital, que constitui o cerne deste documentário - é que Luanda é tão forte que parece um país, afirma Ondjaki.
Dois jovens angolanos da mesma geração, Ondjaki, escritor, e Kiluanje, realizador, com Inês Gonçalves, responsável pela imagem, passaram dois meses em Luanda, em 2005, a realizar entrevistas.

Recolheram 38 horas de imagem e reduziram-nas a uma hora de documentário, a que deram o título “Oxalá cresçam Pitangas” ( Histórias de Luanda), composto pelos depoimentos de dez habitantes de Luanda. E é através destas pessoas que, segundo Ondjaki, a cidade se revela.
Luanda nunca tinha sido filmada assim, através do testemunho dos que nela vivem, dos seus sonhos, das suas realidades, expondo as suas fragilidades e os seus encantos. Os conflitos entre a população e a esfera política, a proliferação do sector informal, as desilusões e as aspirações, o questionamento do espaço urbano e do futuro de uma Angola em acelerado crescimento. Estas dez personagens falam também das suas vidas, do seu modo de agir sobre a realidade, da música que não pode parar.

Aparece uma Luanda onde muitos sobrevivem com grande imaginação, onde se misturam várias gerações, onde se recriam linguagens, uma cidade onde a tristeza e a felicidade convivem com a euforia, onde o ritmo nunca abranda e onde a esperança no futuro e na felicidade é o substrato da própria vida.

“Oxalá cresçam Pitangas” é, pois, esse acentuar da esperança no futuro. O olhar de uma nova geração sobre uma cidade e um país que se confundem na sua realidade cultural.



Exposição na Póvoa do Varzim


Ontem, hoje e amanhã



"Mosaico de um país de muitas terras e de um povo de muitas nações, esta galeria de fotografias vem despida de preconceitos, de exegeses - até de guião.

E como se os olhos do fotógrafo tivessem andado, como aves predadoras, sobre a espuma das genes e das coisas e, de repente, lhes mergulhassem nas essências em voos picados e fulminantes para lhes arrebatar as almas."
Carlos Pinto Coelho descreve, desta forma, no prefácio do álbum da exposição, a exposição fotográfica de Luis de Almeida.
O fotógrafo apresentou, ontem a tarde, a exposição "Moçambique de hoje", na Biblioteca Municipal.

Nascido no Porto, onde ainda hoje mora e é docente, Luis de Almeida tem, nos últimos quatro anos, desenvolvido projectos fotográficos recolhendo imagens um pouco por todo o mundo. A sua paixão por Moçambique surgiu nos anos 70 e levou a que o fotógrafo viajasse por todo o país em busca de imagens que retratam o país africano.
Moçambique de Hoje é um retrato enamorado desse país. O álbum que reúne 154 imagens, com prefácio de Carlos Pinto Coelho, é dedicado a todos aqueles que estão ligados a Moçambique. A exposição, que estará na Biblioteca Municipal até 15 de Março, é a selecção de doze dessas imagens.
Na inauguração de ontem, Luís Diamantino referiu que estas imagens não em tempo, "são de ontem, hoje e amanhã". O vereador do Pelouro da Cultura afirmou que a exposição traz-nos Africa em todo o seu esplendor.
Mia Couto interveio na inauguração para parabenizar Luís de Almeida pelo trabalho concretizado.

O escritor moçambicano chamou a atenção para uma imagem em particular. Uma mulher, carregando um peso talvez superior ao dela própria, com as unhas dos pés pintadas de cor-de-rosa. Mia Couto explicou que este era o retrato não só da pobreza, mas da beleza e da vaidade das mulheres moçambicanas.






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domingo, 17 de fevereiro de 2008

Mia Couto com alunos

Mia Couto numa escola


“Um escritor é alguém que é capaz de converter as tristezas em alegrias. A razão porque sou uma pessoa feliz é porque sou capaz de converter o mundo numa história. Só é feliz quem conta histórias”, esta foi a mensagem que Mia Couto deixou aos alunos da Escola E.B. 2/3 Dr. Flávio Gonçalves.
Considerado como “uma bênção dos deuses” pelos professores da escola, este momento teve início com a declamação de pequenos versos de apresentação do escritor moçambicano que “com apenas três letrinhas, o seu nome nos enche o coração”. Em resposta às questões lançadas, Mia Couto revelou que o seu escritor preferido é Guimarães Rosa, que já está a escrever um novo livro e que busca inspiração na vida e nos outros. O escritor confessou, ainda, que a sua paixão é por fazer histórias e que a sua infância se reflecte em quase todas as suas obras. Quanto ao que pensa ser escrever
bem, Mia Couto referiu que “é saber transmitir aquilo que temos dentro de nós e por vezes temos que ‘entortar’ as palavras”. “Quem me ler, que desentorte as palavras. Quem está a ler é um segundo criador, tem que fazer das palavras suas e converter-se num escritor”, acrescentou.
“Tenho a sensação que a escrita é um espaço de solidão. Apesar de através dela chegarmos aos outros, o momento de escrita é um acto solitário”, referiu valter hugo mãe, que esteve também, esta manhã à conversa com os alunos da Escola E.B. 2/3 Dr. Flávio Gonçalves.
O escritor vencedor do Prémio José Saramago revelou que só teve plena consciência da influência de Saramago quando recebeu o prémio e confessou que aprecia muito o lado colectivo e universalidade dos homens presente na ideologia do escritor. A propósito do Dia de São Valentim que hoje se celebra, valter hugo mãe manifestou que “se pudesse ser um poema, seria uma poema de amor”. Mas não é só de amor que os poemas nos falam, “ansiedades, desejos, alegrias e tristezas” reflectem-se na poesia de valter hugo mãe que justificou o facto de escrever os seus textos sempre em minúsculas dizendo que “o texto sem maiúsculas acelera-se e a leitura de um livro meu é manifestamente acelerada”.
Mia Couto nasceu na Beira, Moçambique, em 1955 e, além de ser escritor, sua faceta mais conhecida, é professor e biólogo. A sua vasta obra, que vai desde o conto, à crónica e da qual fazem parte títulos como "Vozes Anoitecidas", "Terra Sonâmbula" e "Estórias Abensonhadas" foi galardoada, em 1999, com o Prémio Vergílio Ferreira. O escritor participa na 9ª mesa de debate do Correntes d’Escritas, no dia 16.

valter hugo mãe nasceu em Angola, Saurimo, em 1971. Passou a infância em Paços de Ferreira, vive em Vila do Conde desde 1981. Licenciado em Direito, pós-graduado em Literatura Portuguesa Moderna e Contemporânea. Foi vencedor do Prémio José Saramago com o romance o remorso de baltazar serapião, Quidnovi, 2006. É ainda autor de diversos livros de poesia traduzidos/editados em países como Espanha, Brasil, República Checa, Tunísia, Israel, Alemanha, Suiça, França, Eslovénia, Estónia e Estados Unidos da América.
O escritor participou na 6ª mesa de debate do Correntes d’Escritas.

Correntes d'Escritas na Póvoa do Varzim

Correntes d'Escritas em marcha


Amadeu Baptista, José Emílio-Nelson, Ondjaki, Uberto Stabile Vicente Martín Martín e Vergílio Alberto Vieira andaram em torno da poesia, na segunda mesa do Correntes d´Escritas, que ocupou toda a manhã do encontro de escritores de expressão ibérica.
“A meu favor tenho a poesia”, dizia o tema, mas este “estar a favor” não é evidente e não foi também evidente para os autores presentes na mesa. Desde logo, o moderador, Vergílio Alberto Vieira, acrescentou mais uma questão: tem, ou não, o poeta a ver com a poesia, tem, ou não, o poeta a poesia a seu favor?

Amadeu Baptista, procurou, com “Bosque Cintilante”, da sua autoria, mostrar essa impossibilidade em destrinçar o poeta da poesia e da vida – uma trindade que só não será divina porque a poesia se imiscui em todos os aspectos da vida, se suja e redime no concreto da existência humana. E é dessa crua realidade existencial que se enche o “Bosque Cintilante” de Amadeu Baptista, onde o poeta procura a salvação pela poesia e na poesia.
Uberto Stabile remeteu também para a inexistente fronteira da poesia e da vida, lembrando que: “há precisamente dez anos, neste dia 14 de Fevereiro, estava eu a enterrar o meu pai, que nunca entendeu o meu gosto pela poesia e que teria preferido se eu tivesse sido médico ou advogado”. Mas, por fim, é já reconciliado com a escolha do filho e orgulhoso do que este tinha conseguido alcançar, que o pai de Stabile parte e ele recorda, então, que, na vida, sempre teve a seu favor a poesia, porque sobre ela construiu a essência da sua própria existência. Só que, como afirmou o autor, “a poesia é fundamentalmente perversa; ela é, ao mesmo tempo, fé e dúvida”, por isso, um dos textos da sua autoria, que partilhou com o público, tinha como título “Maldita Poesia”. Uberto Stabile falou da poesia que alimenta e se alimenta, da poesia que é transubstanciação.

Também para José Emílio-Nelson a poesia quase assume corpo e existência própria, ao ponto de se atrever a questioná-la directamente em “Interrogações a um Versículo”, texto onde tenta analisar o que subtrai, afinal, a poesia de nós (os poetas)”. E, apesar de achar que, contra ele tem a poesia, revela que permanece nesse “esforço utópico de a ter a meu favor”. É que a poesia, para alguns, não dispensa que o poeta, a horas certas, contemple Babilónia, como afirmou Vergílio Alberto Vieira numa das suas intervenções, enquanto moderador.
Vicente Martín Martín optou por, como afirmou, mostrar que tinha uma posição “mais popular sobre o assunto, porque, como uma mulher” – ironizou - dá-nos, por vezes, mais dissabores que prazer”. E afinal, acrescentou ainda, “sou eu que me sirvo da poesia e a prova disso é que estou aqui, a desfrutar de um evento como este”. Mas, ironias à parte, para Vicente Martín Martín, a existência da poesia assume uma quase necessidade biológica para a procura de uma identidade. “O escritor é um recriador do mundo e escrever serviu-me para conhecer um pouco mais sobre mim mesmo e para reconhecer o meu lugar no mundo”, concluiu. A poesia a seu favor, pois.
Vergílio Alberto Vieira escolheu Ondjaki para encerrar esta segunda mesa do Correntes d´Escritas e este conquistou a plateia com o seu excelente sentido de humor e uma imitação perfeita do seu congénere angolano, Manuel Rui, de quem citou vários excertos de “O Manequim e o Piano”.
Ondjaki construiu a sua intervenção em torno da língua falada e da sua presença na poesia, desse exercício de intimidade entre a oralidade e a escrita; da riqueza do português, falado e sentido de formas tão diversas e tão ricas na extensa realidade lusófona. Ondjaki lembrou que “a poesia está a favor das línguas de falar e escrever” e que “o poeta tem a seu favor todas as formas de reinvenção e o instinto trabalhado de um animal de busca. Ondjaki falou da poesia que se cola à pele, que é língua e sentir, sem dúvida a favor dos poetas, sem dúvida a favor dos que a lêem. E, apesar de ter começado com uma citação de Mia Couto, é difícil não recorrer a ela, em jeito de conclusão, porque ainda: “falta-nos descobrir o caminho humano para o futuro”.

Correntes d' Escritas não param!

Póvoa do Varzim continua
com Correntes d' Escritas


O humor, os risos e as gargalhadas marcaram a 3ª mesa de debate do Correntes d’Escritas.

“A Lenta Volúpia de Escrever” reuniu Almeida Faria, Francisco José Viegas, Ivo Machado, J.J. Armas Marcelo, José Manuel Saraiva e José Carlos de Vasconcelos (este último no papel de moderador) para mais de uma hora de conversas.

A paixão pela escrita marcou o discurso de J.J. Armas Marcelo, de tal forma que, para ele, falar sobre isso é difícil, pois nada há mais a acrescentar. E tendo como fio condutor para a sua intervenção as memórias dos convívios com outros escritores, Armas Marcelo relembrou episódios vividos por Enrique Vila-Matas, que apesar de manifestar a sua recusa em participar em encontros de escritores e o desejo de não receber mais prémios, continua a escrever, a participar em encontros (esteve nas Correntes d’Escritas de 2007) e a sua escrita ainda lhe vale muitos prémios. Recordou também Mário Vargas Llosa, que considera seu mestre, e para quem a escrita era algo de sagrado. Com ela, Llosa não praticava uma relação de adultério, que só acontecia de vez em quando, como disse Armas Marcelo, antes partilhava uma relação matrimonial.
José Manuel Saraiva optou por desconstruir o tema, dizendo que “a volúpia, para ser volúpia, tem que ser lenta, porque ela é sentimento de satisfação, uma festa dos sentidos”.
E sobre a escrita, disse ser “libertadora, não opressiva, é uma acto de amor, não dor, ou se for de dor, é de uma dor boa, nunca agreste”. A sua experiência no ramo do jornalismo levou-o ainda a comparar as duas escritas: se uma pede calma, a escrita jornalística já pede urgência. Nada, no entanto, que o impeça de se afirmar como um “escritor lento, inclusive na escrita jornalística, mesmo que nesta não haja volúpia, mas urgência, duas características, afinal, incompatíveis”.

Foi pela voz de Francisco José Viegas que chegou a discórdia. Começou logo por afirmar que a palavra volúpia o fazia lembrar, de imediato, o pecado, o prazer, a luxúria, logo, algo de proibido e que não poderia ser falado. E assim defendeu que não há volúpia na escrita mas sim no escritor, que se sente necessidade de se mostrar, de conversar. Dizendo que “nem sempre a lentidão é boa conselheira”, e também fazendo uso da sua experiência jornalística, Viegas afirmou nunca ter escrito devagar, pela simples razão de não ter tempo.

Mas logo de seguida Almeida Faria, fazendo valer o seu sangue alentejano, defendeu o tema da mesa. “Nasci no Alentejo e lá temos fama de lentos. Gosto da lentidão, tem as suas vantagens”, disse. O que não gosta, e acabou por confessar, é do processo de publicação e divulgação de livros, uma afirmação feita talvez para responder ao moderador José Carlos de Vasconcelos, que se queixou do “desaparecimento” do escritor, logo no início do debate.
Almeida Faria sublinhou, assim, que publica quando tiver vontade de o fazer.
Nesta 3ª mesa de debate participou ainda Ivo Machado, que abriu a sua intervenção com a leitura do poema “Iluminura” do livro Quilómetro Zero, lançado ontem.

O Correntes d’Escritas continua até 16 de Fevereiro com mais mesas de debate, lançamento de livros, entre muitas outras actividades.




Câmara Municipal da Póvoa de Varzim
4490-438 Póvoa de

“O Escaravelho Contador”

“O Escaravelho Contador” é o trabalho dramático para o público infantil que a Companhia de Teatro de Braga apresenta no Theatro Circo dia 17 às 16h00 e dias 18, 19 e 20 às 11h00 e 15h00.

Encenado por José Caldas, “O Escaravelho Contador” surge a partir da obra “História que me contaste tu”, do jornalista e escritor português Manuel António Pina, que se consubstancia num conjunto de contos extraídos do mundo da fantasia que, entre si, têm o escaravelho a desempenhar o papel de elo de ligação. Habilmente convertido de insecto repugnante em anfitrião cómico e simpático, o escaravelho passa, nesta reescrita cénica de José Caldas, por um processo de multiplicação que coloca em palco cinco escaravelhos que interagem entre si e com os outros personagens da peça, expondo, desta forma as suas várias dimensões.

Em palco, Solange Sá, Teresa Chaves, Carlos Feio, Rogério Boane, Jaime Soares e Alexandre Sá dão vida às histórias que, «como uma caixa dentro de uma caixa, dentro de uma caixa» foram contadas ao escritor pelo escaravelho. Embora esteja classificada para uma faixa etária de maiores de 4 anos e resulte da adaptação de um livro de contos infantis, José Caldas, oriundo de uma realidade cultural em que os espectáculos de teatro não eram tipificados para um público específico (teatro de rua brasileiro), considera que “O Escaravelho Contador” não é apenas destinado a crianças.

Os ingressos, a 10 euros para o público em geral e a 5 euros para estudantes e pessoas com mais de 65 anos, podem ser adquiridos nas bilheteiras do Theatro Circo.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

ESPECIAL “MOONLIGHT”

A Fox emite no fim de semana de 16 e 17 de Fevereiro, os quatro primeiros episódios da fantástica série “Moonlight”. Acompanhe as experiências de um vampiro condenado à vida eterna que se apaixona por uma mortal.

Episódio 1: ‘No Such things as Vampires” (apenas emitido no Sábado)
Episódio 2: ‘Out of the Past’
Episódio 3: ‘Dr. Feelgood’
Episódio 4: ‘Fever’

Emissão: Sábado, 16 de Fevereiro às 17h00 / Repetição: Domingo, 17 de Fevereiro às 23h35

Scriptorium Móvel de volta ad Centro Cultural Olga Cadaval

Dada a grande aceitação por parte do público o Scriptorium Móvel volta à Sala de Ensaio do Centro Cultural Olga Cadaval nos dias 18 a 23 de Fevereiro às 16h00. Neste Jogo-Oficina cada participante cria o seu próprio livro. Para isso pode contar com a ajuda de Sua Majestade, o Rei Louis, e dos seus Gabinetes, maravilhosamente decorados. É uma oficina de criação de livros a partir da visita a doze Gabinetes temáticos. No interior de cada Gabinete, e através de diferentes técnicas e de estímulos visuais, os participantes constroem os componentes fundamentais de uma história (personagens, animais, paisagens, locais, acontecimentos) que posteriormente organizam e montam na criação de um livro novo e único.

No início da sessão os participantes são recebidos por uma pequena marioneta, o Rei Louis, que os aguarda para lhes indicar as regras do jogo e para, ao som de trompetes, fazer a abertura formal da sessão. Os Gabinetes são apresentados com a surpresa da iluminação e o jogo começa. Durante a partida os escritores|ilustradores vão trocando de lugar sempre que toca o sino do Rei e a luz dos seus Gabinetes pisca. Desta forma, guiados pelo esquema imposto pela iluminação, os participantes visitam e trabalham a sua história em todos os tipos de Gabinete. A música e a iluminação criam uma atmosfera adequada. No fim do jogo, o Rei Louis anuncia que todos são vencedores.

Indicado para crianças entre os 5 e os 11 anos

A Cor da Noite no AXN



O AXN emite hoje às 22.30h, o filme, A Cor da Noite é um filme de 1994, realizado por Richard Rush, e conta com Bruce Willis, Jane March e Ruben Blades nos principais papeis.

Sinopse: Um psicanalista abandona o exercício da sua profissão por se sentir culpado pelo suicídio de um paciente. Bill Capa (Bruce Willis) apoia-se num amigo, que morre assassinado passado pouco tempo. Este homicídio relativiza a sua tragédia pessoal. Agora tem que encontrar o culpado e procura-o entre um grupo de pacientes com problemas psiquiátricos. Richard Rush dirige Willis, sempre eficaz no seu papel de vítima e perdedor, num thriller que alcança nalguns momentos grande tensão erótica.

Emissão: Sábado 16 de Fevereiro às 22h30

Serão a dançar com Catarina Furtado

Muita luz, animação, música, cor e, claro, dança, dança e mais dança, vão encher de alegria as noites de sábado!






Catarina Furtado inaugurou mais um salão de baile, na passada semana, onde novos bailarinos convidados vão, continuar a surpreender e brilhar, ao lado dos não menos famosos dançarinos.





Todas as semanas, quatro convidados vão semanalmente mostrar o que valem... a dançar.



Esta semana os convidados são Carla Chambel, Miguel Melo, Bárbara Elias e Ruben Gomes e vão dançar Hip Hop, Rap, Danças de Salão e Africanas.









Desta emissão que tem transmissão, em directo, na RTP1 hoje pelas 21.25h, sairá um dançarino que se juntará a Isaac Alfaiate, que já se encontra apurado para a Semi-Final.

Teatro Circo de Braga recebe Banda Dinamarquesa


THE RAVEONETTES EM BRAGA


19 Fev

22h00

A banda dinamarquesa “The Raveonettes”, formada pela dupla Sharin Foo e Sune Rose Wagner, chega a Braga 19 de Fevereiro (22h00) para dar a conhecer o recente “Lust, Lust, Lust”, registo que permite ao público uma maior identificação do projecto com as influências de “The Jesus and Mary Chain” em detrimento de uma certa identidade “Blondie”.


Caracterizados por uma originalidade retro, contextualizada algures entre o “rock’n’roll” dos anos 50 e 60 e o imaginário dos filmes a preto e branco, “The Raveonettes” apresentam uma sonoridade constituída por harmonias vocais sobrepostas, ao jeito dos “Everly Brothers”, às quais são adicionadas guitarras eléctricas em doses excepcionais de ruído.
Dois anos após “Pretty in Black”, álbum que marca o abandono das regras de composição e das distorções de guitarra e a substituição por composições mais clássicas e elaboradas reverberações, “Lust, Lust, Lust” retoma as referências mais básicas da banda que se consubstanciam em baladas em dueto, muita distorção e o inconfundível estilo “vintage”.
Assim, na circunstância, Wagner e Foo trazem à sala principal a “noise pop” que inspirou temas como “Aly, Walk With Me”, “Lust”, “Black Satin”, “You Want the Candy” ou “With My Eyes Closed”, entre muitas outros.

Oriundos da Dinamarca, “The Raveonettes” começam a tomar forma quando Sune Wagner parte para Nova Iorque, em finais dos anos noventa, com o objectivo de formar um primeiro projecto musical.

Inspirado por nomes como Bob Dylan, “Everly Brothers” ou Mark Knopfler, foram, contudo, os “Sonic Youth” e os “Jesus and the Mary Chain” que motivaram Wagner para um percurso musical profissional.

Entretanto, o “sonho americano” não se prolonga por muito tempo e é precisamente no regresso à Dinamarca que conhece Foo Sharin, jovem vocalista que, após uma viagem pela Índia, onde teve contacto com um vasto conjunto de “world music”, cantava em bares locais.
Com inspirações provenientes dos “Beatles” e dos “Velvet Underground”, Foo decide aliar a sua voz aos conhecimentos musicais de Wagner, dando início, desta forma, ao já consolidado percurso da dupla que se caracteriza, acima de tudo, por uma original fusão do estilo das décadas de 50 e 60 com as possibilidades sonoras proporcionadas pela modernidade.

Os ingressos, a 15 euros, estão disponíveis nas bilheteiras do Theatro Circo.