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quarta-feira, 28 de maio de 2008

Póvoa do Varzim comemora Dia do Pescador


Biblioteca Municipal assinala

Dia do Pescador


A 31 de Maio comemora-se o Dia do Pescador, efeméride que a Biblioteca Municipal assinala com iniciativas que visam sensibilizar a comunidade para os problemas e desafios inerentes à arte da pesca e de toda a actividade marítima.

Sexta-feira, 30, às 21h30, será apresentado, no Diana Bar, o livro Portugal no Mar – Homens que foram ao bacalhau coordenado por Álvaro Garrido, Director do Museu Marítimo de Ílhavo.

A obra trata de uma saga fascinante que, de certo modo, simboliza o crepúsculo do "Portugal marítimo" – real ou imaginário.

O presente livro álbum pretende dar uma expressão territorial e aberta, visível e esteticamente exaltante, às memórias da pesca do bacalhau.

No mesmo dia, às 14h30, os mais novos terão oportunidade de conhecer melhor a vida de pescador num ateliê “Ser Pescador ontem, hoje e amanhã”, na Sala Infanto Juvenil da Biblioteca Municipal.

O Serviço Educativo da Biblioteca organiza um encontro com José do Amaral, pescador e formador da Forpescas, que irá falar da sua experiência profissional e das artes da pesca.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

" Faça compras, receba livros" na Póvoa




23 DE ABRIL

DIA INTERNACIONAL DO LIVRO



“Faça compras, receba livros” é o apelo lançado pela Biblioteca Municipal no âmbito das Comemorações do Dia Mundial do Livro que em parceria com a Associação Comércio ao Ar Livre promove uma actividade inovadora de incentivo à leitura.
De 21 a 23 de Abril, quem realizar compras nos estabelecimentos comerciais aderentes à iniciativa recebe um cupão que lhe permitirá levantar gratuitamente um livro numa extensão da Biblioteca especialmente criada neste período no nº 63 da Rua da Junqueira e na qual decorrem “Tardes com Histórias”.
Ainda no âmbito das comemorações, os livros estarão na rua e irão também a duas instituições do concelho, Beneficente e Santa Casa da Misericórdia, às 14h00 e 15h00, respectivamente, para Sessões especiais de Leitura Sénior.

Este projecto teve início no dia 23 de Abril de 2007 e desde então tem cumprido o seu objectivo de estimular a imaginação e ocupação dos tempos livres dos idosos através de actividades de animação de leitura.
Irá decorrer ainda, no Auditório Municipal, às 15h00, a 3ª edição de “Vamos passar o Testemunho”, uma actividade que envolve a participação das escolas do primeiro ciclo de ensino, convidadas, no início do ano lectivo, a construir em conjunto uma história que seria começada por uma turma de uma escola e depois passada sucessivamente às outras turmas tanto dentro do mesmo estabelecimento de ensino como a outros participantes para que a continuassem.

A história, agora concluída, vai ser apresentada e lida, no dia 23, pelas crianças que a escreveram, sendo a apresentação aberta ao público em geral.
À mesma hora, na Sala Polivalente da Biblioteca, poderá assistir ao filme Toda a memória do Mundo, um documentário de Alain Resnais, de 1956, sobre a Biblioteca Nacional de Paris, em que fica clara a obsessão do cineasta pela capacidade da memória humana, e pelas tentativas de registo dessa memória.

Aos poucos, vamos passando de pilhas de livros amontoados para uma construção absurdamente labiríntica, a da biblioteca, e somos convidados a acompanhar os estágios de trabalho dentro dela, e a maneira como os livros chegam aos leitores.

Esta iniciativa insere-se no Ciclo de filmes “Universo Biblioteca” sobre a relação entre a Biblioteca, os Livros, a Literatura e o Cinema, que teve início no dia 8 e termina a 29 de Abril com “Descobrir Forrester”, de Gus Van Sant.
As celebrações do Dia Mundial do Livro também decorrem no espaço da Biblioteca Municipal, às 10h00, com a apresentação virtual do livro de Actas do Seminário “20 Anos de Leitores e Bibliotecas” que teve lugar a 30 de Novembro de 2007 promovendo a reflexão e o debate sobre os desafios que enfrentam as bibliotecas integradas na Rede Nacional, 20 anos após a sua criação.
O dia termina na Escola Secundária Eça de Queirós, às 21h30, com uma Tertúlia sobre “O valor dos Livros” com Luís Diamantino, José Maria Maciel e Fernando Souto intitulada A Biblioteca pelas Bibliotecas Repartida.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Correntes d' Escritas até à próxima!


Sessão Final das Correntes d' Escritas



Num misto de festa e saudade dos dias mágicos do Correntes d´Escritas, terminou, no Auditório Municipal a nona edição deste singular encontro de escritores de expressão ibérica.
A plateia do Auditório voltou a transbordar para a cerimónia de despedida e de entrega dos prémios literários desta edição.
Num ritual que já se tornou obrigatório, escritores, editores e convidados foram sendo chamados ao palco, pelo vereador do pelouro da Cultura, Luís Diamantino, para receberem uma aguarela que simboliza o agradecimento pela sua participação no encontro – para cada pessoa havia uma aguarela diferente, tendo unicamente um tema comum, a Póvoa de Varzim.


Ao palco subiu também Ruy Duarte de Carvalho, acolhido com um enorme aplauso, para receber o prémio Casino da Póvoa, que este ano distinguiu com 20 mil euros o seu livro Desmedida.

Ruy Duarte de Carvalho, que se deslocou de propósito à Póvoa para receber o prémio, já tinha participado numa das edições do Correntes d´Escritas. Nas poucas palavras que dirigiu ao público, agradeceu a distinção concedida e agradeceu também, voltando-se para a enorme roda de escritores atrás de si, no palco, “aos meus patrícios e compatriotas, que me ajudaram a chegar até aqui.”
O prémio juvenil Correntes d´Escritas/ Papelaria Locus foi entregue a Beatriz Soares, estudante do segundo ano de medicina e que foi distinguida entre mais de meia centena de trabalhos inéditos a concurso.

Na despedida desta nona edição, o vereador Luís Diamantino lembrou que está já em preparação o número 10 – dez anos de vida do encontro, que se hão-se comemorar em 2009 com a mesma magia, amizade e informalidade, o que talvez seja, segundo ele, o segredo do sucesso do Correntes d´Escritas.






Correntes d'Escritas apresenta novos livros


A Neblina do Passado, de Leonardo Padura,

e Maurício ou as Eleições Sentimentais, de Eduardo Mendoza,

foram apresentados no Correntes d´Escritas.


Leonardo Padura é um escritor cubano, a residir em Cuba, que tem praticamente toda a sua obra traduzida para português e o mesmo se passa com Eduardo Mendoza, escritor espanhol que, desde o final dos anos 70 tem obra publicadas em Portugal.


Se Mendoza vem, pela primeira vez ao Correntes d´Escritas, Padura não é um estreante e, para falar do seu livro, coisa que, segundo ele, é um dos exercícios mais difíceis que existe, começou por afirmar, com piada, que “quando um cubano fala devagar, está a falar português”. E foi neste seu “português” recém-adquirido, que o escritor explicou que A Neblina do Passado é realmente o regresso de Mário Conde, personagem recorrente nos seus romances policiais. Só que este já não é um romance policial. Mário Conde deixou de ser polícia e decidiu abrir um pequeno negócio de compra e venda de livros antigos, o que o vai levar de encontro à literatura cubana do século XIX e, mais concretamente, à descoberta de um livro onde um personagem feminino vai tomar conta do seu imaginário. É esta mulher, cuja história ele tenta seguir, que o vai levar numa viagem pela Havana dos anos 50 e pela Havana contemporânea. As noites da capital cubana, os boleros, a dança, o fascínio de uma época do passado, tudo isso povoa este livro de Leonardo Padura, que, para o romance trouxe ainda o sentimento de derrota e desencanto da sua geração e daqueles que, ainda assim, e tal como ele, decidiram permanecer em Cuba e aí continuar a escrever.
Para falar do seu livro, Eduardo Mendoza decidiu começar pelo título: Maurício ou as Eleições Sentimentais. Um título, segundo ele estranho e que nem ele próprio sabe se entende muito bem. Se a acção se desenrola em Espanha, a Espanha dos anos 80, onde já se consolidou a democracia, a história pode bem situar-se em qualquer outro país, uma vez que o romance lida com, como referiu Mendoza, “a aprendizagem da normalidade”. Essa aprendizagem da passagem à idade adulta, quando morrem os sonhos da adolescência.

Segundo o autor, Maurício ou as Eleições Sentimentais é a história de personagens jovens e das suas escolhas de vida, quando supostamente se tomam decisões, mas, na realidade essas decisões até nem nos pertencem a cem por cento, sendo antes um produto de toda a envolvente social e até familiar. O livro trata, pois, tendo como pano de fundo a Espanha dos anos 80, das transições pessoais e colectivas e a pergunta final é: o que aconteceu às esperanças, aos projectos de vida, aos projectos de mudança da vida de cada um e até do país em que se insere? O que acontece aos sonhos que têm que morrer nessa “aprendizagem da normalidade” que implica a passagem para a vida adulta?

" Histórias de Luanda" nascem na Póvoa do Varzim


Oxalá cresçam pitangas



De um verso do poeta angolano António Gonçalves saem estas “Histórias de Luanda”, com o travo agridoce das pitangas.

As pequenas e garridas pitangas, vermelhas cor de sangue, cor de vida.

Fruto tão popular nas ruas e nos quintais de Luanda e que, no filme de Ondjaki e Kiluaje Liberdade são a imagem de uma nova capital e de um novo país que se constrói e reinventa; das novas gerações; de uma nova esperança.
É a realidade da sociedade angolana, representada nas histórias dos habitantes da capital, que constitui o cerne deste documentário - é que Luanda é tão forte que parece um país, afirma Ondjaki.
Dois jovens angolanos da mesma geração, Ondjaki, escritor, e Kiluanje, realizador, com Inês Gonçalves, responsável pela imagem, passaram dois meses em Luanda, em 2005, a realizar entrevistas.

Recolheram 38 horas de imagem e reduziram-nas a uma hora de documentário, a que deram o título “Oxalá cresçam Pitangas” ( Histórias de Luanda), composto pelos depoimentos de dez habitantes de Luanda. E é através destas pessoas que, segundo Ondjaki, a cidade se revela.
Luanda nunca tinha sido filmada assim, através do testemunho dos que nela vivem, dos seus sonhos, das suas realidades, expondo as suas fragilidades e os seus encantos. Os conflitos entre a população e a esfera política, a proliferação do sector informal, as desilusões e as aspirações, o questionamento do espaço urbano e do futuro de uma Angola em acelerado crescimento. Estas dez personagens falam também das suas vidas, do seu modo de agir sobre a realidade, da música que não pode parar.

Aparece uma Luanda onde muitos sobrevivem com grande imaginação, onde se misturam várias gerações, onde se recriam linguagens, uma cidade onde a tristeza e a felicidade convivem com a euforia, onde o ritmo nunca abranda e onde a esperança no futuro e na felicidade é o substrato da própria vida.

“Oxalá cresçam Pitangas” é, pois, esse acentuar da esperança no futuro. O olhar de uma nova geração sobre uma cidade e um país que se confundem na sua realidade cultural.



quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Marcelo Rebelo de Sousa em " Correntes de Escrita"


Marcelo Rebelo de Sousa
na Conferência de Abertura
de " Correntes d' Escritas "


A conferência de abertura do 9º Correntes d´Escritas mais do que encheu o Auditório Municipal, esta tarde.

Das escadas ao hall , não havia um único espaço livre, mas era de esperar que tal acontecesse, uma vez que o convidado era quem, na Póvoa, recriou uma parte das suas tão populares “Escolhas de Marcelo”.
Com a participação da jornalista Maria Flor Pedroso, também ela já uma assídua visitante e participante neste encontro de escritores de expressão ibérica, e que conduziu a conversa com o professor, Marcelo Rebelo de Sousa concentrou-se nos livros, que sempre compõem a primeira parte do seu programa televisivo. E, como o tema da sua conferência ao Correntes d´Escritas era precisamente “A importância dos livros”, nada melhor do que fazer com que a conversa girasse em torno deles e da sugestão de 13 novos títulos – os mesmos, como revelou Marcelo Rebelo de Sousa, que serão sugeridos no programa do próximo domingo, na RTP 1.
Mas porque é que o comentador político, desde que iniciou a sua actividade em programas de rádio e televisão, reservou sempre um espaço, por pequeno que fosse, à sugestão de livros? A esta pergunta de Maria Flor Pedroso, Rebelo de Sousa respondeu com a importância da leitura na formação das pessoas, dando como exemplo o seu próprio passado, motivado para a leitura pelos pais – porque, como disse, “os pais que não estão motivados para a leitura, não podem influenciar os filhos” – por um sistema de ensino totalmente diferente do actual e por professores que foram determinantes – “imaginem o que é ter como professor um Rómulo de Carvalho”, referiu o professor. Depois há o gosto pelos livros, enquanto objecto: “interesso-me pelos livros, pelo seu formato, pelo aspecto gráfico, pelo cheiro do papel; um livro é, de facto, insubstituível”,afirmou, concluindo que o resultado é o seu gosto quase compulsivo pela compra de livros antigos.
Para Marcelo Rebelo de Sousa, o livro e a leitura são, pois, de extrema importância e é necessário estimular a leitura, o que, quanto a ele poderia e deveria ser feito pela televisão: “a televisão ocupa um espaço de enorme importância em Portugal, mais do que a Internet ou do que qualquer outro meio de comunicação social”. Bastaria, então, na sua opinião, que a televisão desse espaço à divulgação do livro para colaborar nesse esforço de promoção da leitura: “como não há programas sobre livros em horário nobre em nenhum dos canais nacionais, seria suficiente que depois de um serviço noticioso, fosse ao almoço ou ao jantar, uma pequena rubrica com a sugestão de dois ou três títulos”, adiantou Marcelo Rebelo de Sousa.
É, pois, para colmatar esta lacuna que o comentador não dispensa a sugestão de livros nos seus programas, sugestões que, mesmo assim, não são isentas de críticas, como ele próprio explicou. É que, recebendo uma média de 50 a 300 livros por semana, como pode reduzir e seleccionar o número de títulos a sugerir? O processo não é fácil e o comentador optou por partilhar com o público presente no Auditório a forma como orienta, então, as suas escolhas literárias. Para começar, só a literatura lusófona é considerada, os livros de direito são afastados, evitando também falar de livros académicos em excesso, “o que é difícil”, considerou. Quanto às edições locais, também não são citadas, o que, como reconheceu, talvez não seja justo, mas seria impossível, dada a grande quantidade de livros editados a nível local, proceder à sua inclusão nas suas escolhas. A ficção e a poesia são dois grandes problemas: “a ficção” – explicou Rebelo de Sousa – “não se pode ler na diagonal, o que representa um problema em termos de tempo disponível; quanto à poesia, não sei como explicar, mas não me sinto à vontade para a recomendar; é uma lacuna minha, reconheço, que terei de tentar contornar”. Por fim, há a necessidade de equilibrar as editoras, o que também nem sempre é fácil.

Por fim, explicou Marcelo Rebelo de Sousa, “tento sugerir uma obra de ficção, uma de literatura infantil, uma ligada à política, uma ligada à História ou uma biografia e depois, os outros variam, como também varia, muito em cima da hora o tempo que temos disponível em cada programa”.
É, portanto, um dilema escolher e sugerir livros, mas essencial continuar a fazê-lo e, para o Correntes d´Escritas, Rebelo de Sousa trouxe também 13 obras, com o privilégio de poder sobre cada um delas tecer algumas considerações, fruto de estar num encontro de escritores, em que tudo gira em torno dos livros e em que o tempo ganha uma outra dimensão.
Para o Correntes e, consequentemente, para o seu programa televisivo do próximo domingo, Marcelo Rebelo de Sousa escolheu então: A Luz da Madrugada, de Fernando Pinto do Amaral (“poesia para me redimir”, afirmou com o seu sempre presente sentido de humor); Marchas, Danças, Canções, de Fernando Lopes Graça; Catarina da Áustria rainha de Portugal, de Ana Isabel Boesco; 1808, do jornalista brasileiro Laurentino Gomes; Braço Tatuado – retalhos da guerra colonial, de Cristóvão Aguiar; Caetano e o Ocaso do Império, de Amélia Neves de Souto (mais um livro sobre o passado colonial português e África, temas que lhe são tão caros); Luuanda, de Luandino Vieira; Crónicas de um Antigo Estudante de Coimbra, de Jorge Rabaça Correia Cordeiro; Livro-guia de Alentejo, de Alfredo Saramago ; Despertares para a Ciência, novos ciclos de conferências, de vários autores; Grão Vasco, de Dalila Rodrigues; a revista Monumentos; O Grande Livro das Lengalengas, de Viale Moutinho e Artistas retratam escritores que retratam artistas, obra criada exclusivamente para a inauguração da livraria Byblos, em Lisboa, com prefácio de José-Augusto França.


Marcelo Rebelo de Sousa referiu-se ainda com alguma preocupação ao surgimento, em Portugal, de grandes grupos editoriais, pelo que isso poderá significar na exclusão de autores e no desaparecimento dos pequenos livreiros e editores. A Internet e o surgimento de esquemas alternativos à distribuição e à edição podem, no entanto, ser uma forma de contornar estes problemas, o que poderá significar a sobrevivência daqueles que ficarem arredados dos novos grupos editoriais, que absorveram várias editoras.
Para a parte final ficou uma muito participada conversa com o público. É que pode ser difícil colocar perguntas interessantes a uma pessoa como Rebelo de Sousa, mas também não deixa de ser estimulante, para além de que o comentador domina, como poucos, a arte da comunicação.
O Correntes d´Escritas voltou, pois, a seleccionar um excelente convidado e um não menos excelente tema para abrir a série de mesas redondas que daqui até sábado vão animar os dias da Póvoa de Varzim.





Póvoa do Varzim com mais Correntes de Escrita


" Correntes de Escrita "

na Póvoa do Varzim



“Dar Palavra à Voz” foi o tema da 1ª mesa de debate da 9ª edição do Correntes d’Escritas.
Aurelino Costa, Carlos do Carmo, Juan Carlos Mestre, Manuel Rui e Manuela Azevedo, “várias gerações de Palavra e de Voz”, como tão bem sintetizou Ana Paula Tavares, moderadora do debate, reuniram-se perante uma plateia completa no Auditório Municipal.


Aurelino Costa focou os problemas da linguagem e da sua percepção. Definiu como o mais importante “o modo como se diz”, porque muitas vezes interpreta-se “não o que o outro diz, mas o que está por detrás do que o outro está a dizer”. E afirmou ainda não se poder dar palavra à voz, porque “a voz existe independentemente da palavra”. “O que se faz é uma incisão na voz de maneira que a voz desaparece e fica apenas a voz dita.”


Carlos do Carmo foi buscar memórias da sua vida, afirmando que “desde criança que aprecio a voz no canto, aprecio a voz de quem sabe dizer poesia”. Tendo como referências, ao longo da vida, João Villaret, Frank Sinatra (que às letras inócuas soube dar expressão), Jaques Brel, Chico Buarque de Holanda, Zeca Afonso ou Ary dos Santos (que apesar não acertar nas notas musicais escrevia “coisas maravilhosas”), Carlos do Carmo identificou neles a capacidade de “fazerem da canção um acto inteligente, de reflexão, de divertimento”. E terminou advertindo a nova geração de fadistas: “os poetas estão cá, é preciso dialogar com eles, pois se o fizerem, o Fado só pode ser valorizado”.


“Há palavras que são como taxistas, vão para onde queremos ir”, pode-se ouvir de Juan Carlos Mestre, que na Palavra vê um acto natural, que vem desde os primórdios, e na voz várias facetas: a voz como afirmação de conduta; como partida; como resistência; a voz comum, para anónimos; a voz do remorso; a voz débil; a voz dos que mandam e a voz dos sem dono, entre outras.

Manuel Rui concorda também que a voz assume referências diversas de metáfora. Fazendo a ponte com a música, falou de palavras que são pedidas por uma melodia, do direito da palavra à voz, da “palavra que a antecipa e está preparado para uma voz”. Já Manuela Azevedo chegou à conclusão que “uma das evidências é que realmente a Palavra surge a partir da voz”, dando como exemplo as crianças que aprendem a falar por repetição ou através de uma faceta mais mágica, como a dos contos, das lenga-lendas e das cantigas. E lançou a pergunta: devemos dar voz a todas as palavras? “Apesar de haver palavras que não deviam ser ditas, há outras que ainda bem que são escritas, porque vale mais lê-las do que ouvi-las”. A sua dedicação à música fê-la ainda chegar a outra conclusão importante, a de que “há que encontrar na voz o tom certo da palavra, a emoção adequada”.


O Correntes d’Escritas continua até 16 de Fevereiro.

Até lá, estão ainda programadas mais oito mesas de debate que prometem lançar importantes temas a discussão.


quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Novo livro de Antero Simões é apresentado amanhã na Póvoa do Varzim


Universos de sol e mar é o título do mais recente livro da autoria de Antero Simões, que será apresentado sexta-feira, 14 de Dezembro, às 21h30, na Biblioteca Municipal, da Póvoa do Varzim.

Esta é já a terceira obra do autor que em 2005 editou O Deus e os Homens de Leonardo Coimbra e no ano passado publicou Antero de Quental – redivivo – com Eça, Leonardo e João Mendes, revelando, na altura, ser este o livro da sua vida.

Para além da sua vasta experiência na área da docência, Antero Simões confirma, uma vez mais, a valorização da sua actividade literária.

A sessão de lançamento de Universos de sol e mar contará com a presença de Iracema Azevedo Leitão, responsável pela apresentação do autor e haverá ainda lugar para um momento de poesia através da leitura de poemas por alunas da Escola Secundária Eça de Queirós, onde o escritor leccionou durante vários anos.

Novo número do Boletim Cultural da Póvoa do Varzim


Boletim Cultural da Póvoa de Varzim conhece novo número com a publicação do volume 41, que será apresentado no dia 15 de Dezembro, sábado, pelas 18h00, na Biblioteca Municipal.

A Câmara Municipal presenteia a comunidade poveira com esta edição sob a direcção da professora Conceição Nogueira, uma assídua colaboradora do boletim e que, no último número, foi já responsável pela revisão de todos os textos.

O Boletim Cultural reúne uma série de artigos sobre personalidades, aspectos históricos e tradições locais. Este volume 41 integra um contributo de José Macedo Vieira, presidente da autarquia, no âmbito do Dia Nacional do Mar de 2006, um artigo de José Ferreira sobre o escritor e primeiro director espiritual da beata Alexandrina, Mariano Pinho, entre muitos outros.

O Boletim Cultural é uma das mais representativas publicações da Câmara Municipal.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Seminário sobre Bibliotecas na Póvoa do Varzim


Bibliotecas em Discussão



Sexta-feira, 30, fala-se de leitores e bibliotecas num seminário organizado pela Biblioteca Municipal, que se prolongará durante todo o dia, visando promover a reflexão e o debate sobre os desafios que enfrentam as bibliotecas integradas na Rede Nacional, 20 anos após a sua criação.
Com o tema “Vinte anos de leitores e bibliotecas”, este seminário será dividido em dois painéis, dedicados à criação e ao desenvolvimento da Rede Nacional de Bibliotecas Públicas e aos desafios que se colocam aos profissionais que nelas trabalham.

Para participar nesta iniciativa, é necessária uma inscrição prévia, que pode ser feita em www.cm-pvarzim.pt/biblioteca .
O seminário começa às 9h00 com a recepção dos participantes.

A abertura será feita pelo Vereador do Pelouro da Cultura, Luís Diamantino Batista, e pela Directora da Direcção Geral do Livro e das Bibliotecas, Paula Morão.
O primeiro painel terá início às 9h45 – “Vinte anos de mudança e inovação nas bibliotecas públicas” é o tema, que será abordado por Maria José Moura, através da sua comunicação “Bibliotecas e Cidadania” e por Henrique Barreto Nunes, que apresentará “A Biblioteca como provocação”. A encerrar este painel haverá um debate e, antes da interrupção para almoço, será lembrado Manuel Lopes, antigo director da Biblioteca Municipal, por Henrique Barreto Nunes.
De tarde, a partir das 15h00, tem início o segundo painel deste seminário, constituído por uma mesa redonda subordinada ao tema “Seis olhares sobre os desafios da Leitura Pública” e com seis participantes:
Isabel Sousa, Manuela Barreto Nunes, Teresa Calçada, José António Calixto, José Afonso Furtado e Francisco José Viegas. O encerramento dos trabalhos ficará a cargo de Paula Morão, que abordará as “Linhas de actuação da Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas”.

domingo, 25 de novembro de 2007

António Lobo Antunes vai à Póvoa do Varzim apresentar novo livro



O escritor António Lobo Antunes regressa à Biblioteca Municipal para apresentar, na próxima quarta-feira, 28, às 21h30,o seu mais recente romance, “O Meu Nome é Legião”.
Usando a linguagem de um relatório policial, Lobo Antunes relata o quotidiano de um bando, oriundo de uma zona a que chama simplesmente Bairro e que evoca as zonas periféricas das grandes cidades e o leitor percorre, como se fosse sua, a vida de pessoas que vivem na pior parte do pior sítio do mundo.
“O Meu Nome é Legião” anuncia uma inovação na técnica narrativa do autor:

"E não tenho medo dela, não tenho medo de vocês, não tenho medo de nada, os plátanos do pátio, mil plátanos de berma de estrada que vou ultrapassando um a um neste carro roubado com a velha no outro banco a dizer-me - Menino".
Depois de aqui ter apresentado, em Março do ano passado, o “Terceiro Livro de Crónicas”, António Lobo Antunes regressa à Biblioteca Municipal para partilhar com os leitores este seu novo romance e alguns momentos de conversa, como só ele sabe.


Lobo Antunes nasceu em Lisboa, em 1942.

Estudou na Faculdade de Medicina de Lisboa e especializou-se em Psiquiatria, tendo exercido, durante vários anos, a profissão de médico psiquiatra.

Em 1979 publicou os seus primeiros livros, “Memória de Elefante” e “Os Cus de Judas”, seguindo-se, em 1980, “Conhecimento do Inferno”.

Estas primeiras obras são marcadamente biográficas, estão muito ligadas ao contexto da guerra colonial e imediatamente o transformaram num dos autores contemporâneos mais lidos e discutidos, no âmbito nacional e internacional.

Todo o seu trabalho literário tem, ao longo dos anos, sido objecto dos mais diversos estudos, académicos ou não, e o número de distinções literárias, nacionais e internacionais, é vasto: conquistou duas vezes, o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa, o Prémio Europeu de Literatura (Áustria), o Prémio Ovídio (Roménia), o Prémio Internacional de Literatura da União Latina (Roma), o Prémio Rosalía de Castro (Galiza), o Prémio Jerusalém de Literatura, o Prémio Iberoamericano das Letras José Donoso e o Prémio Camões, entre outros.



quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Póvoa do Varzim celebra o Dia Nacional do Mar


DIA NACIONAL DO MAR


No próximo dia 16 de Novembro comemora-se em Portugal o Dia Nacional do Mar.
Para celebrar esta efeméride, a Câmara Municipal apresenta a sua mais recente publicação, Mares Poveiros da autoria de Luís Martins.

O lançamento do número 17 da Colecção Na Linha do Horizonte – Biblioteca Poveira irá decorrer pelas 21h30, na Biblioteca Municipal.

Luís de Sousa Martins doutorou-se em Antropologia pelo ISCTE, com uma tese intitulada Inovação e Resistência – um estudo sobre estratégias nas companhas de pesca, uma pesquisa que deu origem a este livro.

Mares Poveiros – Histórias, ideias e estratégias de pescadores da Póvoa de Varzim é o resultado de intenso trabalho de investigação e de uma notável experiência adquirida em muito prolongado e íntimo contacto com as nossas mais importantes comunidades piscatórias, com realce para os poveiros.

Para conhecer melhor a realidade vivida pelo pescador poveiro, o investigador esteve alojado durante algum tempo em casa de um conhecido homem do mar, Manuel Carvalheira.





domingo, 12 de agosto de 2007

Nova Biblioteca na Póvoa do Varzim

De 14 de Agosto a 14 de Setembro,

a Câmara Municipal abre mais um espaço de leitura à cidade:

a Biblioteca de Jardim Casa Manuel Lopes.



Situada na Avenida Mousinho de Albuquerque, a casa onde residiu Manuel Lopes, o falecido director da Biblioteca Municipal, vai agora abrir ao público, disponibilizando um espaço privilegiado e de grande tranquilidade, com um belo jardim, em plena cidade.

A abertura oficial terá lugar no dia 14 deste mês, às 14h30, e será feita pelo vereador do Pelouro da Cultura.

O visionamento de um vídeo alusivo a Manuel Lopes e a apresentação do postal In memoriam a Manuel Lopes, com fotografia de Daniel Curval e poema "O velho pescador" de José Carlos Vasconcelos, declamado pelo autor, assinalarão também a abertura deste novo espaço que, segundo Luís Diamantino, vereador do Pelouro da Cultura, será um acto simbólico, simples e singelo, muito de acordo com a personalidade do antigo director da Biblioteca, ganhando a Póvoa um novo local de encontro e convívio ao ar livre muito agradável, com sombras e espaço aberto para diversos trabalhos educativos.

A nova Biblioteca de Jardim tira o maior partido possível da casa em que está instalada, oferecendo dois locais distintos ao público: um exterior e um interior.

O exterior é constituído por uma esplanada para leitura e será o local para a realização de actividades lúdicas, tanto para crianças como para os pais, que aí poderão realizar actividades conjuntas de leitura com os seus filhos.

No espaço interior encontram-se livros de literatura infantil e juvenil e ali poderão também realizar-se actividades de animação de leitura, jogos didácticos e projecção de filmes.

A Casa Manuel Lopes, que passará a funcionar de segunda a sexta-feira, das 14h00 às 17h30, pretende ser um alargamento dos serviços educativos e de animação infanto-juvenil da Biblioteca Municipal, continuando a divulgar o livro e incutindo hábitos de leitura nos mais novos.

Com a chegada das férias e do Verão, esta iniciativa vai conciliar, com certeza, a descontracção com o prazer da leitura.

O Pelouro da Cultura irá dinamizar oficinas pedagógicas, jogos lúdicos e actividades de animação para os mais jovens.

Na que já foi a garagem da casa, vão ser fornecidos um conjunto de serviços, tais como livros de literatura Infanto-Juvenil, jogos didácticos e ateliers de expressão plástica para crianças e adolescentes, “Hora do Conto”, com teatralização de histórias, sessões de vídeo educativos e lúdicos e espectáculos de animação de leitura.