
Marsilio Cassotti, autor do livro Infantas de Portugal, Rainhas em Espanha, actualmente em 4ª edição, virá a Lisboa, nos dias 1 e 2 de Julho, promover o seu novo livro intitulado D. Teresa, A Primeira Rainha de Portugal.
Trata-se da primeira biografia que se publica sobre uma personagem fundamental da história portuguesa, a mãe de D. Afonso Henriques.
Uma obra que o autor do prefácio, Guilherme D’Oliveira Martins considera «útil e necessária».
A sua fonte principal foram os documentos das chancelarias reais leonesa e portuguesa, bem como outros contemporâneos dos factos, especialmente os relacionados com as autoridades religiosas peninsulares e a Santa Sé.
De tudo isto surge uma D. Teresa muito diferente daquela que é apresentada pela historiografia tradicional, que teve tendência para tirar importância ao seu papel e tem dado um juízo negativo sobre ela do ponto de vista humano e político.
D. Teresa de Portugal, mãe de D. Afonso Henriques, é uma personagem fundamental da História portuguesa.
No entanto a sua vida é pouco conhecida. E o que se sabe tem sido distorcido por interesses políticos e por preconceitos ancestrais.
Descendente de nobres portucalenses, entre outros a poderosa Mumadona de Guimarães, ao casar-se com Henrique de Borgonha, seu pai, o rei D. Afonso VI de Castela e Leão, deu-lhe em dote os ricos e estratégicos territórios a sul do Minho que constituíram a origem do Portugal actual.
Viúva aos vinte e cinco anos com três filhos pequenos, durante dez anos de governo autónomo e proveitoso, soube ganhar o apoio dos colaboradores do seu marido, como Egas Moniz, repelir os ataques muçulmanos a Coimbra e vencer mais de uma vez, pela astúcia ou pelas armas, a sua meia- -irmã, a rainha Urraca de Castela.
Caso único da História ocidental, uma mulher pode assim colocar-se à cabeça de um regnum até então inexistente e exercer o poder com o mesmo desembaraço que os homens.
Em 1116, o Papa Pascoal II reconheceu-lhe o título de Rainha de Portugal.
A sua relação política e sentimental com o conde Fernando Pérez de Trava desencadeou a rejeição daqueles que, baseados numa tradição milenar, consideravam que o governo nas mãos de uma mulher era algo perigoso ou, até mesmo, diabólico.
Um confronto que acabaria em 1128 com a lendária batalha de São Mamede em que D.Teresa foi derrotada pelas forças partidárias do seu filho e herdeiro.
Primeira narrativa da extraordinária vida de uma das governantes mais originais, inteligentes e empenhadas da Idade Média .
Marsilio Cassotti estudou Ciências Políticas e Relações Internacionais na Universidade Católica de Buenos Aires e Línguas no Instituto Católico de Paris.
Durante vários anos, foi director de uma colecção de História pertencente a uma importante editora de Barcelona e é autor de estudos fundamentais sobre mulheres como a princesa Éboli, esposa do português Rui Gomes da Silva, membro da casa da imperatriz Isabel de Portugal; a «Excelente Senhora»; a duquesa de Alba, mecenas de Goya; e a rainha Maria Luísa de Parma, avó da infanta Maria Isabel de Bragança.