Ópera "Das Märchen" transmissão em directo no TAGV
Duração: 3h50
Intervalo: 1h00
Numa acção inédita em Portugal, DAS MÄRCHEN estreia em simultâneo, a 25 de Janeiro, em 14 teatros do País e Ilhas com transmissão em directo do São Carlos numa iniciativa com o apoio da RTP e da PT Multimédia.
Prólogo: A Imaginação
No Prólogo são declamadas dezasseis frases de Goethe – que não fazem parte do conto Das Märchen – relativas ao poder da imaginação, à sua capacidade de gerar obras de arte e ao modo como o faz, reflectindo ainda o carácter aberto e a significação potencialmente infinita do conto maravilhoso que se vai seguir.
Acto I O Jogo dos Elementos
Cena 1
Os Fogos-Fátuos
Quadro 1: O Barqueiro / A Errância
A história começa a meio da noite, na cabana do Barqueiro, na margem da Bela Lília. O Barqueiro é acordado pelos dois Fogos-Fátuos, que pretendem atravessar para a outra margem. Travessia do rio. Chegados à outra margem os Fogos-Fátuos abanam-se, largando muitas peças de ouro no fundo da barca. O Barqueiro, que não pode aceitar ouro como forma de pagamento, exige-lhes um tributo, sob a forma de frutos da terra (três repolhos, três alcachofras e três cebol
Quadro 2: A Serpente
Numa região montanhosa o Barqueiro lança o ouro para o fundo de um precipício, entre altos penedos. A Serpente Verde, que dormia nesse abismo, acorda e engole avidamente as moedas de ouro, tornando-se transparente e luminescente. Sai do abismo à procura da origem do ouro e, depois de muito rastejar, encontra os Fogos-Fátuos junto a um canavial.
Quadro 3: O Ouro
Conversa dos Fogos-Fátuos e da Serpente Verde no canavial. A Serpente informa-os que a Bela Lília, que eles pretendem visitar, vive no outro lado do rio. Os Fogos-Fátuos, dando conta do engano em que incorreram, pretendem voltar à outra margem. Descrição das três maneiras de atravessar o rio. Os Fogos-Fátuos despedem-se.
Cena 2
Os Segredos da Terra
Quadro 1: Nos interstícios das rochas
A Serpente Verde, de novo sozinha, desce pelos interstícios das rochas ao templo subterrâneo. Visão do templo, das estátuas dos quatro reis e diálogo com o Rei de Ouro.
Quadro 2: O Homem com a Lâmpada
Aparição do Homem com a Lâmpada no templo subterrâneo, sendo questionado pelos quatro reis sobre o futuro de cada um deles. O Homem com a Lâmpada conhece três segredos, mas desconhece o quarto. A Serpente sibila-lhe algo ao ouvido, e o Homem com a Lâmpada grita com uma voz retumbante: «o tempo chegou». O templo subterrâneo ecoou e as estátuas de metal vibraram ressoando. A Serpente parte para Leste e o Homem com a Lâmpada para Oeste, atravessando sem resistência o maciço rochoso e dirigindo-se para a sua cabana, no sopé da montanha.
Cena 3
As duas Margens
Quadro 1: A Velha
Na cabana do Homem com a Lâmpada e da Velha. A Velha está transtornada. Durante a ausência do seu marido a Velha recebeu a visita dos Fogos-Fátuos, que ingeriram o ouro das paredes da cabana, lhe pediram que assumisse a dívida deles para com o Barqueiro, e provocaram a morte do cãozinho Mops. O Homem com a Lâmpada transmuta em ónix o cadáver do cão e, pelo efeito da sua lâmpada mágica, volta a cobrir de ouro as paredes da cabana. Seguindo as ordens do Homem com a Lâmpada a Velha põe-se a caminho, ao nascer do Sol do dia seguinte, para entregar os frutos da terra ao Barqueiro e oferecer o cãozinho à Bela Lília, para que ela o ressuscite e fique com ele.
[Paralelamente à acção principal: início da Canção da Manhã de Lília, no seu Palácio.]
Quadro 2: Os Frutos da Terra / O Gigante / O Rio
Caminhada lenta da Velha, com o cesto carregado à cabeça, em direcção ao rio. Encontro com a Sombra do Gigante, que lhe rouba um repolho, uma alcachofra e uma cebola. A Velha espera longamente o Barqueiro, que chega finalmente, trazendo o jovem Príncipe na sua barca. Diálogo da Velha com o Barqueiro, que só aceita o pagamento incompleto sob a condição de a Velha se comprometer pessoalmente a pagar o resto da dívida nas próximas vinte e quatro horas. Como sinal do seu compromisso a Velha tem de molhar a mão no rio. A mão sai das águas mais pequena do que antes e de cor preta. O Barqueiro deixa-a seguir caminho e a Velha, cujo cesto começa a levitar, inicia um diálogo com o jovem Príncipe.
[Paralelamente à acção principal: continuação da Canção da Manhã de
Lília.]
Quadro 3: A Velha e o Jovem
Diálogo da Velha com o Príncipe. Este, que se considera a si mesmo uma «sombra errante», também se dirige ao Palácio da Bela Lília pelo que decidem seguir juntos o resto do caminho em direcção à ponte do meio-dia.
[Paralelamente à acção principal: continuação da Canção da Manhã de
Lília.]
Quadro 4: A Travessia
Ao meio-dia a Velha, o jovem Príncipe e os Fogos-Fátuos (invisíveis) atravessam o rio sobre as costas da Serpente Verde, transformada temporariamente numa ponte feita de pedras preciosas. Agora todos se encontram na margem da Bela Lília – a Velha com o cão de ónix, o Príncipe, a Serpente Verde e os dois Fogos-Fátuos.
[Paralelamente à acção principal: fim da Canção da Manhã de Lília.]
Acto II As Metamorfoses
Cena 1
A Proscrição
Quadro 1: Lília
A Velha, o Príncipe e a Serpente Verde chegam ao jardim da Bela Lília.
Ouve-se a Canção da Manhã de Lília. Diálogo da Velha com a Bela Lília, no qual se fica a saber que o Canário de Lília morreu nessa manhã, depois de um Açor o ter assustado e do Canário se ter precipitado contra o peito de Lília. Lília tem a estranha capacidade de matar todos os seres vivos que toca, bem como de ressuscitar seres petrificados; além disso Lília retira as forças a todos aqueles que alcança com o seu olhar. Oferta do cão de ónix a Lília, que reconhece vários sinais premonitórios da chegada duma nova era, faltando porém o mais importante: o templo junto ao rio e a ponte estável.
Quadro 2: O Príncipe e Lília
A Serpente afirma que a profecia da ponte está cumprida, e que já viu o templo no interior da terra. Lília não reconhece a profecia como cumprida. A Velha e Lília trocam os animais (Canário e Mops). A Serpente repete as palavras «o tempo chegou». Lília ressuscita o cão Mops e brinca com ele.
O Príncipe, vendo o cão Mops ser beijado por Lília, decide morrer, precipitando-se nos seus braços. Morte do Príncipe.
Quadro 3: O Círculo
A Serpente Verde forma um círculo mágico à volta do cadáver do Príncipe, para evitar a sua decomposição. Lília está estarrecida, mas é ainda incapaz de chorar. As três damas de companhia tentam reconfortá-la. Lília vê a sua própria imagem reflectida num espelho e começa a chorar.
Cena 2
O Tempo
Quadro 1: O Perigo – A Ameaça
Aproxima-se o pôr-do-sol. A escuridão dará início à putrefacção do cadáver do Príncipe. A Velha parte à procura dos Fogos-Fátuos, para que estes possam ir à outra margem chamar o Homem com a Lâmpada, única pessoa que pode salvar o Príncipe e, com ele, todos os outros. Inquietação e ansiedade geral. A Serpente Verde olha à sua volta, procurando descortinar um bom presságio.
Quadro 2: A Aliança
A Serpente avista o Açor vermelho-púrpura no alto dos céus. Chegada do Homem com a Lâmpada. Subitamente é meia-noite, sem que ninguém saiba como. O Homem com a Lâmpada dá instruções precisas a todos e a cada um. Unidos num enigmático ritual todos executam as suas tarefas. As três damas de companhia de Lília adormecem.
Quadro 3: Primeiro cortejo / A Ponte
Forma-se um cortejo constituído pelas seguintes personagens: a Serpente Verde, os Fogos-fátuos, a Velha com os cadáveres do Príncipe e do Canário no seu cesto em levitação, a Bela Lília com o cão Mops nos braços e, finalmente, o Homem com a Lâmpada. A Serpente transforma-se em esplendorosa ponte luminosa, sobre a qual o cortejo atravessa o rio. Ao longe, o Barqueiro observa esta travessia.
Quadro 4: O Sacrifício / A Ressurreição
A travessia conclui-se. Todos estão na margem do templo subterrâneo. A Serpente Verde decide sacrificar-se antes que a sacrifiquem. A Bela Lília toca com a mão esquerda a Serpente e com a mão direita o seu amado Príncipe. O Príncipe e o Canário ressuscitam ao mesmo tempo, enquanto a Serpente se desintegra, transubstanciando-se em milhares e milhares de pedras preciosas, que são recolhidas no cesto da Velha e deitadas ao rio.
Cena 3
A Ponte Prometida
Quadro 1: Segundo cortejo / A Fenda / O Templo
Forma-se um novo cortejo constituído pelas seguintes personagens: o Homem com a Lâmpada, o Príncipe, Lília, a Velha e os Fogos-Fátuos. Este cortejo dirige-se, através das rochas, para o templo subterrâneo. A grande porta de bronze do templo, fechada com um cadeado de ouro, é aberta pelas chamas dos Fogos-Fátuos. Visão das estátuas do Reis.
Quadro 2: Debaixo do Rio / A Viagem
Diálogo com os quatro reis. O tempo da mudança chega definitivamente. O Templo move-se, iniciando uma viagem através das rochas, passando por debaixo do rio, até alcançar a sua localização final, na outra margem. A cabana do Barqueiro torna-se um altar do templo. É já de manhã. Coroação do jovem Príncipe como novo Rei e louvor dos três poderes: Sabedoria, Aparência e Força, aos quais se acrescenta o Amor, que não governa, mas forma.
Quadro 3: A Apoteose
O templo final, a praça e a ponte estão perfeitamente construídos. O Príncipe (o novo Rei) casa-se com Lília. As jovens damas de companhia reaparecem com a Velha rejuvenescida, que renova o seu casamento com o Homem com a Lâmpada, transformado em conselheiro do jovem soberano. As pedras preciosas provenientes dos restos da Serpente Verde elevaram-se por si mesmas e deram forma a uma ponte eterna que estabelece a ligação e a circulação animada entre as duas margens do rio.
O Gigante aparece uma última vez, sendo metamorfoseado numa estátua que indica as horas do dia. Os Fogos-Fátuos divertem-se largando moedas de ouro reluzentes sobre a praça do templo, e observando a sofreguidão com que os milhares de pessoas que atravessam a ponte magnífica se lançam sobre o ouro.
Paulo Pereira de Assis
Praça da República _ 3000-343 Coimbra
Tel.: +351 239 855630 _ Fax: +351 239 855637
E-mail: teatro@tagv.uc.pt
Url: www.uc.pt/tagv
Blog: http://blogtagv.blogspot.com/














