Definido pelo próprio coreógrafo como «um bailado muito corporal», “Passo Contínuo” surge da inspiração nas vivências profissionais, artísticas e da vida em geral, expressas através das experiências e emoções do corpo que, sem a pretensão de relatar algo, constitui apenas uma expressão de encontro e colisão, fusão e separação.
No âmbito musical, Mauro Bigonzetti escolheu uma obra original de Antongiulio Galeandro constituída por improvisações sobre composições de Johann Sebastian Bach.
Revestida de todos os elementos tradicionais da dança clássica – tutus, sapatilhas de ponta, virtuosismo, lirismo e uma agradável formalidade na relação entre os sexos – “The Vertiginous Thrill of Exactitude”, de William Forsythe, proporciona um perfeito enquadramento na actualidade, que se traduz, segundo Roslyn Sulcas, «na manifesta celebração da capacidade dos bailarinos em converterem a dificuldade técnica num triunfo de mestria física, e na sua patente personificação de toda uma tradição na dança».
Inspirada no último andamento da Sinfonia n.º 9 de Franz Schubert, a performance concebida pelo coreógrafo nova-iorquino distingue-se ainda pela capacidade única de ilustrar o modo como Forsythe concebe o vocabulário balético, parte de um leque de possibilidades coreográficas, aqui destiladas até à sua forma mais pura e brilhante.
Numa tentativa de traduzir para palavras a essência da sua coreografia, Olga Roriz recorre a um excerto de “L’Oeuvre au Noir” de Marguerite Yourcenar que fala das qualidades de uma substância vista em sonhos. «A ligeireza, a impalpabilidade, a incoerência, a liberdade total em relação ao tempo, a mobilidade das formas da pessoa que faz com que cada uma sejam várias e que todas sejam reduzidas a uma, o sentimento quase platónico da reminiscência, o sentido quase insuportável de uma necessidade» são as sensações que a novelista francesa descreve e que encontram paralelo nos movimentos idealizados por Olga Roriz.
Concebida por Gagik Ismailian, “Dualidade” desenvolve-se nos sons de Henry Torque, Serge Houppin e Wim Mertens e em extractos de canções da diva Amália Rodrigues, que acompanham uma coreografia materializada numa confrontação e emancipação entre os dois sexos, um duelo em torno da ideia de confrontar e deliciosamente esperar pela reacção do adversário.
Única companhia de dança nacional vocacionada para reportórios clássicos, românticos e contemporâneos, a Companhia Nacional Bailado, que se encontra em plena digressão nacional, regressa também este ano aos palcos internacionais com passagens por Espanha, Macedónia, Alemanha, Tailândia e Singapura.
Criada em 1977 para cumprir o serviço público de apresentar, regularmente e em todo o território nacional, o conjunto das obras do património coreográfico clássico e romântico, a Companhia Nacional de Bailado começou por estrear nesse mesmo ano os bailados “Lago dos Cisnes”, “Canto de Amor e Morte”, “O Quebra-Nozes”, “Suite Medieval” e “D. Quixote”.
Actualmente empenhada em imprimir uma nova dinâmica de apresentação dos bailados em território nacional, renovar o elenco e proceder a um alargamento do âmbito do reportório e da impressão no tecido artístico internacional, a Companhia Nacional de Bailado destaca-se ainda pelas colaborações regulares com a Orquestra Sinfónica Portuguesa, Orquestra Metropolitana de Lisboa, Orquestra Nacional do Porto, ou o Quarteto de Piano de Amesterdão.
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