segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Os mais pequenos em Correntes d'Escritas


Conta-me um Conto


Foi uma das novidades nesta nona edição do Correntes d’Escritas, que no seu programa de actividades paralelas inclui uma mesa destinada a alunos do 4º ano do 1º ciclo de Ensino Básico da Póvoa de Varzim.


Sob o tema “Conta-me um conto”, Cristina Norton, Ondjaki, Rui Grácio e Vergílio Alberto Vieira reuniram-se esta manhã no Diana Bar perante uma plateia de 125 alunos das EB 1 nº 2 dos Sininhos, nº 3 do Desterro, nº 1 de Refojos – Aver-o-Mar e nº 1 Praça – Rates.


Rui Grácio fez uma pequena apresentação baseada no texto da sua nova obra Olá, eu sou um Livro, e que será apresentado hoje, às 17h00, na Casa da Juventude.

Com ela, as crianças partiram à descoberta do livro, através da personagem Emília, que depois de conhecer um livro esquecido numa estante entre muitos outros, o decidiu levar para casa. Uma lição para os mais novos que o ouviam atentamente, e a quem Rui Grácio explicou ainda a importância da sensibilidade não só para a leitura, mas também para a vida.


Também Cristina Norton aproveitou uma das suas obras infanto-juvenis para falar com os alunos. Um Barco de Chocolate foi o ponto de partida para a visita de muitos contos que a autora escreveu, transportando os alunos para um mundo de magia, sempre presente na literatura infantil. De nacionalidade argentina, a viver em Portugal há vários anos, mas com raízes um pouco por todo o mundo, Cristina Norton explicou que Um Barco de Chocolate é mais do que o nome do livro, é uma recordação da sua infância, pois seu pai dizia que um dia iriam viajar para a Europa num barco de chocolate.


O riso e as gargalhadas chegaram com a intervenção de Ondjaki, que questionou os alunos sobre qual era o conto mais curto do mundo. “O conto mais curto do mundo é este: Era uma vez… e acabou”, desvendou, explicando depois que neste conto há espaço para muito mais, pois podemos acrescentar elementos à história, saber o que aconteceu e como acabou. Foi este o ponto de partida para os alunos construírem os seus próprios contos, partindo apenas de uma palavra. De conto mais curto do mundo, a estória ganhou conteúdo, imaginação, através da interacção com os alunos. “Escrever um conto é aumentar o que vimos, o que ouvimos e o que sonhamos”, concluiu.

Da mala de Vergílio Alberto Viera saltou um sol e na mesa nasceu uma flor para acompanhar a leitura de um conto sobre a Abelha Giroflé. O conto foi desvendado em primeira mão para os alunos presentes, pois faz parte de um livro que ainda não foi lançado e que Ondjaki irá ilustrar.
Seguiram-se as perguntas por parte dos alunos, que perderam a timidez e até poemas declamaram. Assim, ficaram a saber que Ondjaki gostou muito de escrever Ynari, a menina das 5 tranças (livro que todas as crianças conheciam) e que o seu nome verdadeiro não é Ondjaki, antes outro que é segredo indesvendável. Souberam também que Rui Grácio começou a escrever em 1993, que Cristina Norton escreve contos infantis porque, já depois de os filhos crescidos, sentiu necessidade de escrever para outras crianças e que Vergílio Alberto Vieira deve a seus pais a sua dedicação à escrita, pois incentivaram-no à leitura quando ainda era muito novo.
Terminadas as perguntas, foram muitas as crianças que, de livros na mão, esperaram pelos autógrafos dos escritores.





Filme brasileiro na Póvoa do Varzim


Netto e o Domador de Cavalos



Em “Neto e o Domador de Cavalos”, Tabajara Ruas retoma a história do herói brasileiro do século XIX, António de Souza Netto, que esteve na origem do livro “Netto perde a sua Alma”, escrito por Tabajara e adaptado por ele mesmo para o cinema, em 2001.


Depois de “Netto perde a sua Alma”, explica o escritor, “a personagem ficou tão grande que tive que fazer este segundo filme, ‘Netto e o Domador de Cavalos’ e estou já a trabalhar num terceiro, porque gostaria de fazer uma trilogia em torno dele, e que já tem título, será ‘Netto nos Braços da Moura’”.

Na Póvoa para participar na nona edição do Correntes d´Escritas, Tabajara Ruas fala com orgulho do segundo filme da saga de Netto que, como explica, não se baseia, desta vez, num livro, resultando antes de um guião especificamente escrito para o cinema.

E neste “Netto e o Domador de Cavalos”, o autor explora um lado totalmente ficcional da vida do herói farroupilha. Como revela Tabajara Ruas, a história une dois personagens de mundos diferentes: “o real, que é Netto, e o Negrinho do Pastoreio, personagem da mais popular lenda do Rio Grande do Sul”. Nesta história explora-se, pois, o lado ficcional e a mistura entre a realidade e a lenda, uma tendência que se há-de repetir no terceiro filme, do qual Tabajara Ruas não quer ainda revelar muito mais.


“Netto e o Domador de Cavalos” retoma, pois, o herói farroupilha, o general António de Souza Netto, que participou em todas as guerras de fronteira no sul do Brasil, no século passado. Um republicano, segundo Tabajara, contra a escravatura e o império numa época em que o Brasil era ainda o único império esclavagista na América do Sul de 1835.
O romance “Netto perde a sua alma” deu origem a um filme que ganhou quatro kikitos, no Festival de Cinema de Gramado 2001, o maior festival de cinema do Brasil e América Latina e o filme que agora passou na Póvoa é a sua continuação.
Antônio de Souza Netto, general brasileiro, descendente de emigrantes açorianos, é ferido durante a Guerra do Paraguai (1861-1866) e recolhido ao Hospital Militar de Corrientes, na Argentina, onde viria a falecer.
Apesar de tantas batalhas, o guerreiro, com porte de herói galante, encontrou tempo para casar, ter duas filhas e cuidar de sua estância em Piedra Sola, distrito de Tacuarembó, no Uruguai.




Correntes d'Escritas não param na Póvoa do Varzim







“Escrever é um Gesto Perverso”



Literatura e perversão – ligação possível ou impossível? Foi este o desafio para a 4ª mesa de debate do Correntes d’Escritas, que teve como tema “Escrever é um Gesto Perverso”.


Com moderação de Carlos Quiroga, a mesa ficou marcada pelo espanto e estranheza que tal tema colocou e que obrigou a alguma pesquisa por parte de todos os participantes, a saber Adolfo García Ortega, André Sant’Anna, Eugenia Almeida, José Norton e Mário Pinheiro.


Num primeiro momento esta ligação entre literatura e perversão parecia impossível para García Ortega, pois, na sua opinião, a literatura é algo de transparente e a perversão algo de obscuro. Uma segunda análise, já a nível etimológico, permitiu ao escritor espanhol chegar a uma outra conclusão: por definição no dicionário, perverso significa algo de mau e viciante e também diz respeito a algo que é alterado negativamente. Ora, se escrever é viciante e ler implica a alteração da conduta, então Escrever é um Gesto Perverso.
Também Eugenia Almeida investigou a palavra perverso. Primeiro através do dicionário, depois na literatura ligada à psicanálise (onde tudo é perverso e “e as palavras nunca significam o mesmo que para o resto dos mortais”, disse) e finalmente, junto de um amigo especialista em etimologia. Foi ele que lhe deu, como definição de perverso, “tomar algo e dar a volta”, algo que, de facto, acontece na literatura, “um mundo de possibilidades, onde posso corrigir, inventar palavras, voltar atrás.”
Tal conclusão teve a concordância de José Norton, cuja experiência literária passa, em grande medida, pela elaboração de biografias, trabalho que pede um grande esforço de investigação. E é neste trabalho que José Norton vê perversidade, ao dar a volta “a ideias feitas que tenho encontrado em biografias que eu, através da minha investigação, concluo que não foi bem assim. Passo a ideia real, dou a volta às coisas”.
Na mesa participou ainda André Sant’Anna, cuja obra está marcada pela temática da sexualidade, que alguns vêem como perverso. “Mais do que a literatura é a arte que perverte a cultura” disse, “e a cultura tenta impor um formato”.

A fechar a mesa, Mário Pinheiro confessou também a sua estranheza face ao tema, um bom sinal, referiu, pois “estranhar é começar a compreender as coisas”. Conclui, então que “não há perversidade no simples acto de escrever, poderá é haver subversão”, identificado a perversidade não na literatura em si própria mas na comercialização da mesma: “a perversidade consiste no encher dos bolsos à custa da ingenuidade dos outros”, afirmou.






Mais uma edição de Correntes d'Escritas


" Sou do Tamanho do que escrevo"


Com um Auditório Municipal mais uma vez cheio, Miguel Real, José Eduardo Agualusa, Isabel da Nóbrega, José Manuel Vasconcelos, Eduardo Mendoza e Carme Riera partiram por vários caminhos para perceber se “Sou do tamanho do que escrevo”.


Abrindo o debate à mesa, José Manuel Vasconcelos tentou subverter o tema, afirmando que, para ele, deveria ser “escrevo com o tamanho que tenho e não, sou do tamanho do que escrevo”.

O moderador acrescentou ainda que, para ele, a frase faria mais sentido na terceira pessoa, isto é “o escritor é do tamanho do que escreve”.
Para Miguel Real, o tema não causou qualquer problema, uma vez que, como afirmou, não o analisou na primeira pessoa, tendo feito exactamente o raciocínio proposto por José Manuel Vasconcelos, isto é, considerando que, nomeadamente no caso de grandes nomes da literatura, os escritores são do tamanho da sua obra e da sua escrita.

Como exemplo lembrou Padre António Vieira, Camões e Fernando Pessoa, que, nas suas vidas pessoais conheceram a frustração e não foram casos de sucesso quanto à construção dessa mesma vida, mas que são percepcionados pela dimensão e valor da sua obra.

Para nós serão, portanto, do tamanho do que escreveram.


Isabel da Nóbrega resolveu pegar no tema por outro ponto de vista, considerando que “sou do tamanho do que leio e não do que escrevo”.

Com esta subversão do tema , Isabel da Nóbrega tentou demonstrar a importância da leitura para a construção do escritor, colocando-a, mesmo na origem de tudo. A partir daqui considerou, “se a obra for boa, o escritor é grande, se não o for, então o escritor será um escritor menor”.


Carme Riera pegou também na questão da leitura, afirmando que “somos o que lemos”.

E, quanto ao processo da escrita, lembrou a intervenção de Susana Fortes, na última mesa da tarde, que tinha descrito o processo por que passa o escritor enquanto cria ma obra. Um processo em que o escritor vive com um pé na realidade e outro no mundo que está a criar, vivendo permanentemente com a obra dentro de si.

Para Carme Riera, o escritor é, então, “aquilo que escreve e não do tamanho do que escreve”.

E por fim deixou a questão: “de que tamanho seríamos se não fôssemos escritores?”.

Para José Eduardo Agualusa “qualquer livro, sendo bom, é maior do que o seu autor”, o que significa que, para o escritor, a obra assume, desde logo, o papel principal na equação. Para ele, o escritor é quase um personagem da sua própria obra, sendo também todos os outros que vieram antes dele e que o fizeram escritor.


Eduardo Mendoza fechou a mesa de debate recorrendo ao humor das histórias que resolveu partilhar com o público e que arrancaram bastantes gargalhadas e aplausos. E, para o escritor, a questão é muito subjectiva porque “o tamanho e o talento individual são questões muito relativas”.

Para o provar afirmou que “não quero pensar que sou do tamanho do que escrevo, porque teria que me pôr cima da mesa, de pé, para que vocês me vissem.”

O Fotógrafo dos Escritores na Póvoa do Varzim


Daniel Mordzinski,

o fotógrafo dos escritores.



O Auditório Municipal recebeu, esta tarde, uma apresentação fotográfica multimédia onde estão espelhados 30 anos de trabalho, onde estão incluídas muitas das imagens recolhidas durante as três edições do Correntes d'Escritas em que já participou.

A selecção das fotografias, cerca de 150, não é fácil. “É injusta e quase arbitrária, já que é impossível sermos justos quando temos milhares de fotografias”, confidenciou o fotógrafo.

Então, nesta apresentação, Mordzinski incluiu imagens daqueles escritores que são ícones na literatura e imagens “simplesmente gosto”.
O fotógrafo argentino é dotado de uma especial sensibilidade para captar a verdadeira essência da criação literária e comenta: “Não se pode fotografar escritores sem amar a literatura”.
Acerca do Correntes d'Escritas e da sua participação nesta edição, através desta apresentação, Daniel Mordzinski afirma que pretende devolver um pouco de tudo aquilo que o Encontro lhe proporciona.

Para o fotógrafo, o termo Correntes é o mais apropriado, já que a palavra lembra energia, paixão, sentimento e trabalho.

Correntes d'Escritas apresenta novos livros


A Neblina do Passado, de Leonardo Padura,

e Maurício ou as Eleições Sentimentais, de Eduardo Mendoza,

foram apresentados no Correntes d´Escritas.


Leonardo Padura é um escritor cubano, a residir em Cuba, que tem praticamente toda a sua obra traduzida para português e o mesmo se passa com Eduardo Mendoza, escritor espanhol que, desde o final dos anos 70 tem obra publicadas em Portugal.


Se Mendoza vem, pela primeira vez ao Correntes d´Escritas, Padura não é um estreante e, para falar do seu livro, coisa que, segundo ele, é um dos exercícios mais difíceis que existe, começou por afirmar, com piada, que “quando um cubano fala devagar, está a falar português”. E foi neste seu “português” recém-adquirido, que o escritor explicou que A Neblina do Passado é realmente o regresso de Mário Conde, personagem recorrente nos seus romances policiais. Só que este já não é um romance policial. Mário Conde deixou de ser polícia e decidiu abrir um pequeno negócio de compra e venda de livros antigos, o que o vai levar de encontro à literatura cubana do século XIX e, mais concretamente, à descoberta de um livro onde um personagem feminino vai tomar conta do seu imaginário. É esta mulher, cuja história ele tenta seguir, que o vai levar numa viagem pela Havana dos anos 50 e pela Havana contemporânea. As noites da capital cubana, os boleros, a dança, o fascínio de uma época do passado, tudo isso povoa este livro de Leonardo Padura, que, para o romance trouxe ainda o sentimento de derrota e desencanto da sua geração e daqueles que, ainda assim, e tal como ele, decidiram permanecer em Cuba e aí continuar a escrever.
Para falar do seu livro, Eduardo Mendoza decidiu começar pelo título: Maurício ou as Eleições Sentimentais. Um título, segundo ele estranho e que nem ele próprio sabe se entende muito bem. Se a acção se desenrola em Espanha, a Espanha dos anos 80, onde já se consolidou a democracia, a história pode bem situar-se em qualquer outro país, uma vez que o romance lida com, como referiu Mendoza, “a aprendizagem da normalidade”. Essa aprendizagem da passagem à idade adulta, quando morrem os sonhos da adolescência.

Segundo o autor, Maurício ou as Eleições Sentimentais é a história de personagens jovens e das suas escolhas de vida, quando supostamente se tomam decisões, mas, na realidade essas decisões até nem nos pertencem a cem por cento, sendo antes um produto de toda a envolvente social e até familiar. O livro trata, pois, tendo como pano de fundo a Espanha dos anos 80, das transições pessoais e colectivas e a pergunta final é: o que aconteceu às esperanças, aos projectos de vida, aos projectos de mudança da vida de cada um e até do país em que se insere? O que acontece aos sonhos que têm que morrer nessa “aprendizagem da normalidade” que implica a passagem para a vida adulta?

" Histórias de Luanda" nascem na Póvoa do Varzim


Oxalá cresçam pitangas



De um verso do poeta angolano António Gonçalves saem estas “Histórias de Luanda”, com o travo agridoce das pitangas.

As pequenas e garridas pitangas, vermelhas cor de sangue, cor de vida.

Fruto tão popular nas ruas e nos quintais de Luanda e que, no filme de Ondjaki e Kiluaje Liberdade são a imagem de uma nova capital e de um novo país que se constrói e reinventa; das novas gerações; de uma nova esperança.
É a realidade da sociedade angolana, representada nas histórias dos habitantes da capital, que constitui o cerne deste documentário - é que Luanda é tão forte que parece um país, afirma Ondjaki.
Dois jovens angolanos da mesma geração, Ondjaki, escritor, e Kiluanje, realizador, com Inês Gonçalves, responsável pela imagem, passaram dois meses em Luanda, em 2005, a realizar entrevistas.

Recolheram 38 horas de imagem e reduziram-nas a uma hora de documentário, a que deram o título “Oxalá cresçam Pitangas” ( Histórias de Luanda), composto pelos depoimentos de dez habitantes de Luanda. E é através destas pessoas que, segundo Ondjaki, a cidade se revela.
Luanda nunca tinha sido filmada assim, através do testemunho dos que nela vivem, dos seus sonhos, das suas realidades, expondo as suas fragilidades e os seus encantos. Os conflitos entre a população e a esfera política, a proliferação do sector informal, as desilusões e as aspirações, o questionamento do espaço urbano e do futuro de uma Angola em acelerado crescimento. Estas dez personagens falam também das suas vidas, do seu modo de agir sobre a realidade, da música que não pode parar.

Aparece uma Luanda onde muitos sobrevivem com grande imaginação, onde se misturam várias gerações, onde se recriam linguagens, uma cidade onde a tristeza e a felicidade convivem com a euforia, onde o ritmo nunca abranda e onde a esperança no futuro e na felicidade é o substrato da própria vida.

“Oxalá cresçam Pitangas” é, pois, esse acentuar da esperança no futuro. O olhar de uma nova geração sobre uma cidade e um país que se confundem na sua realidade cultural.



Exposição na Póvoa do Varzim


Ontem, hoje e amanhã



"Mosaico de um país de muitas terras e de um povo de muitas nações, esta galeria de fotografias vem despida de preconceitos, de exegeses - até de guião.

E como se os olhos do fotógrafo tivessem andado, como aves predadoras, sobre a espuma das genes e das coisas e, de repente, lhes mergulhassem nas essências em voos picados e fulminantes para lhes arrebatar as almas."
Carlos Pinto Coelho descreve, desta forma, no prefácio do álbum da exposição, a exposição fotográfica de Luis de Almeida.
O fotógrafo apresentou, ontem a tarde, a exposição "Moçambique de hoje", na Biblioteca Municipal.

Nascido no Porto, onde ainda hoje mora e é docente, Luis de Almeida tem, nos últimos quatro anos, desenvolvido projectos fotográficos recolhendo imagens um pouco por todo o mundo. A sua paixão por Moçambique surgiu nos anos 70 e levou a que o fotógrafo viajasse por todo o país em busca de imagens que retratam o país africano.
Moçambique de Hoje é um retrato enamorado desse país. O álbum que reúne 154 imagens, com prefácio de Carlos Pinto Coelho, é dedicado a todos aqueles que estão ligados a Moçambique. A exposição, que estará na Biblioteca Municipal até 15 de Março, é a selecção de doze dessas imagens.
Na inauguração de ontem, Luís Diamantino referiu que estas imagens não em tempo, "são de ontem, hoje e amanhã". O vereador do Pelouro da Cultura afirmou que a exposição traz-nos Africa em todo o seu esplendor.
Mia Couto interveio na inauguração para parabenizar Luís de Almeida pelo trabalho concretizado.

O escritor moçambicano chamou a atenção para uma imagem em particular. Uma mulher, carregando um peso talvez superior ao dela própria, com as unhas dos pés pintadas de cor-de-rosa. Mia Couto explicou que este era o retrato não só da pobreza, mas da beleza e da vaidade das mulheres moçambicanas.






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domingo, 17 de fevereiro de 2008

Mia Couto com alunos

Mia Couto numa escola


“Um escritor é alguém que é capaz de converter as tristezas em alegrias. A razão porque sou uma pessoa feliz é porque sou capaz de converter o mundo numa história. Só é feliz quem conta histórias”, esta foi a mensagem que Mia Couto deixou aos alunos da Escola E.B. 2/3 Dr. Flávio Gonçalves.
Considerado como “uma bênção dos deuses” pelos professores da escola, este momento teve início com a declamação de pequenos versos de apresentação do escritor moçambicano que “com apenas três letrinhas, o seu nome nos enche o coração”. Em resposta às questões lançadas, Mia Couto revelou que o seu escritor preferido é Guimarães Rosa, que já está a escrever um novo livro e que busca inspiração na vida e nos outros. O escritor confessou, ainda, que a sua paixão é por fazer histórias e que a sua infância se reflecte em quase todas as suas obras. Quanto ao que pensa ser escrever
bem, Mia Couto referiu que “é saber transmitir aquilo que temos dentro de nós e por vezes temos que ‘entortar’ as palavras”. “Quem me ler, que desentorte as palavras. Quem está a ler é um segundo criador, tem que fazer das palavras suas e converter-se num escritor”, acrescentou.
“Tenho a sensação que a escrita é um espaço de solidão. Apesar de através dela chegarmos aos outros, o momento de escrita é um acto solitário”, referiu valter hugo mãe, que esteve também, esta manhã à conversa com os alunos da Escola E.B. 2/3 Dr. Flávio Gonçalves.
O escritor vencedor do Prémio José Saramago revelou que só teve plena consciência da influência de Saramago quando recebeu o prémio e confessou que aprecia muito o lado colectivo e universalidade dos homens presente na ideologia do escritor. A propósito do Dia de São Valentim que hoje se celebra, valter hugo mãe manifestou que “se pudesse ser um poema, seria uma poema de amor”. Mas não é só de amor que os poemas nos falam, “ansiedades, desejos, alegrias e tristezas” reflectem-se na poesia de valter hugo mãe que justificou o facto de escrever os seus textos sempre em minúsculas dizendo que “o texto sem maiúsculas acelera-se e a leitura de um livro meu é manifestamente acelerada”.
Mia Couto nasceu na Beira, Moçambique, em 1955 e, além de ser escritor, sua faceta mais conhecida, é professor e biólogo. A sua vasta obra, que vai desde o conto, à crónica e da qual fazem parte títulos como "Vozes Anoitecidas", "Terra Sonâmbula" e "Estórias Abensonhadas" foi galardoada, em 1999, com o Prémio Vergílio Ferreira. O escritor participa na 9ª mesa de debate do Correntes d’Escritas, no dia 16.

valter hugo mãe nasceu em Angola, Saurimo, em 1971. Passou a infância em Paços de Ferreira, vive em Vila do Conde desde 1981. Licenciado em Direito, pós-graduado em Literatura Portuguesa Moderna e Contemporânea. Foi vencedor do Prémio José Saramago com o romance o remorso de baltazar serapião, Quidnovi, 2006. É ainda autor de diversos livros de poesia traduzidos/editados em países como Espanha, Brasil, República Checa, Tunísia, Israel, Alemanha, Suiça, França, Eslovénia, Estónia e Estados Unidos da América.
O escritor participou na 6ª mesa de debate do Correntes d’Escritas.

Correntes d'Escritas na Póvoa do Varzim

Correntes d'Escritas em marcha


Amadeu Baptista, José Emílio-Nelson, Ondjaki, Uberto Stabile Vicente Martín Martín e Vergílio Alberto Vieira andaram em torno da poesia, na segunda mesa do Correntes d´Escritas, que ocupou toda a manhã do encontro de escritores de expressão ibérica.
“A meu favor tenho a poesia”, dizia o tema, mas este “estar a favor” não é evidente e não foi também evidente para os autores presentes na mesa. Desde logo, o moderador, Vergílio Alberto Vieira, acrescentou mais uma questão: tem, ou não, o poeta a ver com a poesia, tem, ou não, o poeta a poesia a seu favor?

Amadeu Baptista, procurou, com “Bosque Cintilante”, da sua autoria, mostrar essa impossibilidade em destrinçar o poeta da poesia e da vida – uma trindade que só não será divina porque a poesia se imiscui em todos os aspectos da vida, se suja e redime no concreto da existência humana. E é dessa crua realidade existencial que se enche o “Bosque Cintilante” de Amadeu Baptista, onde o poeta procura a salvação pela poesia e na poesia.
Uberto Stabile remeteu também para a inexistente fronteira da poesia e da vida, lembrando que: “há precisamente dez anos, neste dia 14 de Fevereiro, estava eu a enterrar o meu pai, que nunca entendeu o meu gosto pela poesia e que teria preferido se eu tivesse sido médico ou advogado”. Mas, por fim, é já reconciliado com a escolha do filho e orgulhoso do que este tinha conseguido alcançar, que o pai de Stabile parte e ele recorda, então, que, na vida, sempre teve a seu favor a poesia, porque sobre ela construiu a essência da sua própria existência. Só que, como afirmou o autor, “a poesia é fundamentalmente perversa; ela é, ao mesmo tempo, fé e dúvida”, por isso, um dos textos da sua autoria, que partilhou com o público, tinha como título “Maldita Poesia”. Uberto Stabile falou da poesia que alimenta e se alimenta, da poesia que é transubstanciação.

Também para José Emílio-Nelson a poesia quase assume corpo e existência própria, ao ponto de se atrever a questioná-la directamente em “Interrogações a um Versículo”, texto onde tenta analisar o que subtrai, afinal, a poesia de nós (os poetas)”. E, apesar de achar que, contra ele tem a poesia, revela que permanece nesse “esforço utópico de a ter a meu favor”. É que a poesia, para alguns, não dispensa que o poeta, a horas certas, contemple Babilónia, como afirmou Vergílio Alberto Vieira numa das suas intervenções, enquanto moderador.
Vicente Martín Martín optou por, como afirmou, mostrar que tinha uma posição “mais popular sobre o assunto, porque, como uma mulher” – ironizou - dá-nos, por vezes, mais dissabores que prazer”. E afinal, acrescentou ainda, “sou eu que me sirvo da poesia e a prova disso é que estou aqui, a desfrutar de um evento como este”. Mas, ironias à parte, para Vicente Martín Martín, a existência da poesia assume uma quase necessidade biológica para a procura de uma identidade. “O escritor é um recriador do mundo e escrever serviu-me para conhecer um pouco mais sobre mim mesmo e para reconhecer o meu lugar no mundo”, concluiu. A poesia a seu favor, pois.
Vergílio Alberto Vieira escolheu Ondjaki para encerrar esta segunda mesa do Correntes d´Escritas e este conquistou a plateia com o seu excelente sentido de humor e uma imitação perfeita do seu congénere angolano, Manuel Rui, de quem citou vários excertos de “O Manequim e o Piano”.
Ondjaki construiu a sua intervenção em torno da língua falada e da sua presença na poesia, desse exercício de intimidade entre a oralidade e a escrita; da riqueza do português, falado e sentido de formas tão diversas e tão ricas na extensa realidade lusófona. Ondjaki lembrou que “a poesia está a favor das línguas de falar e escrever” e que “o poeta tem a seu favor todas as formas de reinvenção e o instinto trabalhado de um animal de busca. Ondjaki falou da poesia que se cola à pele, que é língua e sentir, sem dúvida a favor dos poetas, sem dúvida a favor dos que a lêem. E, apesar de ter começado com uma citação de Mia Couto, é difícil não recorrer a ela, em jeito de conclusão, porque ainda: “falta-nos descobrir o caminho humano para o futuro”.

Correntes d' Escritas não param!

Póvoa do Varzim continua
com Correntes d' Escritas


O humor, os risos e as gargalhadas marcaram a 3ª mesa de debate do Correntes d’Escritas.

“A Lenta Volúpia de Escrever” reuniu Almeida Faria, Francisco José Viegas, Ivo Machado, J.J. Armas Marcelo, José Manuel Saraiva e José Carlos de Vasconcelos (este último no papel de moderador) para mais de uma hora de conversas.

A paixão pela escrita marcou o discurso de J.J. Armas Marcelo, de tal forma que, para ele, falar sobre isso é difícil, pois nada há mais a acrescentar. E tendo como fio condutor para a sua intervenção as memórias dos convívios com outros escritores, Armas Marcelo relembrou episódios vividos por Enrique Vila-Matas, que apesar de manifestar a sua recusa em participar em encontros de escritores e o desejo de não receber mais prémios, continua a escrever, a participar em encontros (esteve nas Correntes d’Escritas de 2007) e a sua escrita ainda lhe vale muitos prémios. Recordou também Mário Vargas Llosa, que considera seu mestre, e para quem a escrita era algo de sagrado. Com ela, Llosa não praticava uma relação de adultério, que só acontecia de vez em quando, como disse Armas Marcelo, antes partilhava uma relação matrimonial.
José Manuel Saraiva optou por desconstruir o tema, dizendo que “a volúpia, para ser volúpia, tem que ser lenta, porque ela é sentimento de satisfação, uma festa dos sentidos”.
E sobre a escrita, disse ser “libertadora, não opressiva, é uma acto de amor, não dor, ou se for de dor, é de uma dor boa, nunca agreste”. A sua experiência no ramo do jornalismo levou-o ainda a comparar as duas escritas: se uma pede calma, a escrita jornalística já pede urgência. Nada, no entanto, que o impeça de se afirmar como um “escritor lento, inclusive na escrita jornalística, mesmo que nesta não haja volúpia, mas urgência, duas características, afinal, incompatíveis”.

Foi pela voz de Francisco José Viegas que chegou a discórdia. Começou logo por afirmar que a palavra volúpia o fazia lembrar, de imediato, o pecado, o prazer, a luxúria, logo, algo de proibido e que não poderia ser falado. E assim defendeu que não há volúpia na escrita mas sim no escritor, que se sente necessidade de se mostrar, de conversar. Dizendo que “nem sempre a lentidão é boa conselheira”, e também fazendo uso da sua experiência jornalística, Viegas afirmou nunca ter escrito devagar, pela simples razão de não ter tempo.

Mas logo de seguida Almeida Faria, fazendo valer o seu sangue alentejano, defendeu o tema da mesa. “Nasci no Alentejo e lá temos fama de lentos. Gosto da lentidão, tem as suas vantagens”, disse. O que não gosta, e acabou por confessar, é do processo de publicação e divulgação de livros, uma afirmação feita talvez para responder ao moderador José Carlos de Vasconcelos, que se queixou do “desaparecimento” do escritor, logo no início do debate.
Almeida Faria sublinhou, assim, que publica quando tiver vontade de o fazer.
Nesta 3ª mesa de debate participou ainda Ivo Machado, que abriu a sua intervenção com a leitura do poema “Iluminura” do livro Quilómetro Zero, lançado ontem.

O Correntes d’Escritas continua até 16 de Fevereiro com mais mesas de debate, lançamento de livros, entre muitas outras actividades.




Câmara Municipal da Póvoa de Varzim
4490-438 Póvoa de

“O Escaravelho Contador”

“O Escaravelho Contador” é o trabalho dramático para o público infantil que a Companhia de Teatro de Braga apresenta no Theatro Circo dia 17 às 16h00 e dias 18, 19 e 20 às 11h00 e 15h00.

Encenado por José Caldas, “O Escaravelho Contador” surge a partir da obra “História que me contaste tu”, do jornalista e escritor português Manuel António Pina, que se consubstancia num conjunto de contos extraídos do mundo da fantasia que, entre si, têm o escaravelho a desempenhar o papel de elo de ligação. Habilmente convertido de insecto repugnante em anfitrião cómico e simpático, o escaravelho passa, nesta reescrita cénica de José Caldas, por um processo de multiplicação que coloca em palco cinco escaravelhos que interagem entre si e com os outros personagens da peça, expondo, desta forma as suas várias dimensões.

Em palco, Solange Sá, Teresa Chaves, Carlos Feio, Rogério Boane, Jaime Soares e Alexandre Sá dão vida às histórias que, «como uma caixa dentro de uma caixa, dentro de uma caixa» foram contadas ao escritor pelo escaravelho. Embora esteja classificada para uma faixa etária de maiores de 4 anos e resulte da adaptação de um livro de contos infantis, José Caldas, oriundo de uma realidade cultural em que os espectáculos de teatro não eram tipificados para um público específico (teatro de rua brasileiro), considera que “O Escaravelho Contador” não é apenas destinado a crianças.

Os ingressos, a 10 euros para o público em geral e a 5 euros para estudantes e pessoas com mais de 65 anos, podem ser adquiridos nas bilheteiras do Theatro Circo.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

ESPECIAL “MOONLIGHT”

A Fox emite no fim de semana de 16 e 17 de Fevereiro, os quatro primeiros episódios da fantástica série “Moonlight”. Acompanhe as experiências de um vampiro condenado à vida eterna que se apaixona por uma mortal.

Episódio 1: ‘No Such things as Vampires” (apenas emitido no Sábado)
Episódio 2: ‘Out of the Past’
Episódio 3: ‘Dr. Feelgood’
Episódio 4: ‘Fever’

Emissão: Sábado, 16 de Fevereiro às 17h00 / Repetição: Domingo, 17 de Fevereiro às 23h35

Scriptorium Móvel de volta ad Centro Cultural Olga Cadaval

Dada a grande aceitação por parte do público o Scriptorium Móvel volta à Sala de Ensaio do Centro Cultural Olga Cadaval nos dias 18 a 23 de Fevereiro às 16h00. Neste Jogo-Oficina cada participante cria o seu próprio livro. Para isso pode contar com a ajuda de Sua Majestade, o Rei Louis, e dos seus Gabinetes, maravilhosamente decorados. É uma oficina de criação de livros a partir da visita a doze Gabinetes temáticos. No interior de cada Gabinete, e através de diferentes técnicas e de estímulos visuais, os participantes constroem os componentes fundamentais de uma história (personagens, animais, paisagens, locais, acontecimentos) que posteriormente organizam e montam na criação de um livro novo e único.

No início da sessão os participantes são recebidos por uma pequena marioneta, o Rei Louis, que os aguarda para lhes indicar as regras do jogo e para, ao som de trompetes, fazer a abertura formal da sessão. Os Gabinetes são apresentados com a surpresa da iluminação e o jogo começa. Durante a partida os escritores|ilustradores vão trocando de lugar sempre que toca o sino do Rei e a luz dos seus Gabinetes pisca. Desta forma, guiados pelo esquema imposto pela iluminação, os participantes visitam e trabalham a sua história em todos os tipos de Gabinete. A música e a iluminação criam uma atmosfera adequada. No fim do jogo, o Rei Louis anuncia que todos são vencedores.

Indicado para crianças entre os 5 e os 11 anos

A Cor da Noite no AXN



O AXN emite hoje às 22.30h, o filme, A Cor da Noite é um filme de 1994, realizado por Richard Rush, e conta com Bruce Willis, Jane March e Ruben Blades nos principais papeis.

Sinopse: Um psicanalista abandona o exercício da sua profissão por se sentir culpado pelo suicídio de um paciente. Bill Capa (Bruce Willis) apoia-se num amigo, que morre assassinado passado pouco tempo. Este homicídio relativiza a sua tragédia pessoal. Agora tem que encontrar o culpado e procura-o entre um grupo de pacientes com problemas psiquiátricos. Richard Rush dirige Willis, sempre eficaz no seu papel de vítima e perdedor, num thriller que alcança nalguns momentos grande tensão erótica.

Emissão: Sábado 16 de Fevereiro às 22h30

Serão a dançar com Catarina Furtado

Muita luz, animação, música, cor e, claro, dança, dança e mais dança, vão encher de alegria as noites de sábado!






Catarina Furtado inaugurou mais um salão de baile, na passada semana, onde novos bailarinos convidados vão, continuar a surpreender e brilhar, ao lado dos não menos famosos dançarinos.





Todas as semanas, quatro convidados vão semanalmente mostrar o que valem... a dançar.



Esta semana os convidados são Carla Chambel, Miguel Melo, Bárbara Elias e Ruben Gomes e vão dançar Hip Hop, Rap, Danças de Salão e Africanas.









Desta emissão que tem transmissão, em directo, na RTP1 hoje pelas 21.25h, sairá um dançarino que se juntará a Isaac Alfaiate, que já se encontra apurado para a Semi-Final.

Teatro Circo de Braga recebe Banda Dinamarquesa


THE RAVEONETTES EM BRAGA


19 Fev

22h00

A banda dinamarquesa “The Raveonettes”, formada pela dupla Sharin Foo e Sune Rose Wagner, chega a Braga 19 de Fevereiro (22h00) para dar a conhecer o recente “Lust, Lust, Lust”, registo que permite ao público uma maior identificação do projecto com as influências de “The Jesus and Mary Chain” em detrimento de uma certa identidade “Blondie”.


Caracterizados por uma originalidade retro, contextualizada algures entre o “rock’n’roll” dos anos 50 e 60 e o imaginário dos filmes a preto e branco, “The Raveonettes” apresentam uma sonoridade constituída por harmonias vocais sobrepostas, ao jeito dos “Everly Brothers”, às quais são adicionadas guitarras eléctricas em doses excepcionais de ruído.
Dois anos após “Pretty in Black”, álbum que marca o abandono das regras de composição e das distorções de guitarra e a substituição por composições mais clássicas e elaboradas reverberações, “Lust, Lust, Lust” retoma as referências mais básicas da banda que se consubstanciam em baladas em dueto, muita distorção e o inconfundível estilo “vintage”.
Assim, na circunstância, Wagner e Foo trazem à sala principal a “noise pop” que inspirou temas como “Aly, Walk With Me”, “Lust”, “Black Satin”, “You Want the Candy” ou “With My Eyes Closed”, entre muitas outros.

Oriundos da Dinamarca, “The Raveonettes” começam a tomar forma quando Sune Wagner parte para Nova Iorque, em finais dos anos noventa, com o objectivo de formar um primeiro projecto musical.

Inspirado por nomes como Bob Dylan, “Everly Brothers” ou Mark Knopfler, foram, contudo, os “Sonic Youth” e os “Jesus and the Mary Chain” que motivaram Wagner para um percurso musical profissional.

Entretanto, o “sonho americano” não se prolonga por muito tempo e é precisamente no regresso à Dinamarca que conhece Foo Sharin, jovem vocalista que, após uma viagem pela Índia, onde teve contacto com um vasto conjunto de “world music”, cantava em bares locais.
Com inspirações provenientes dos “Beatles” e dos “Velvet Underground”, Foo decide aliar a sua voz aos conhecimentos musicais de Wagner, dando início, desta forma, ao já consolidado percurso da dupla que se caracteriza, acima de tudo, por uma original fusão do estilo das décadas de 50 e 60 com as possibilidades sonoras proporcionadas pela modernidade.

Os ingressos, a 15 euros, estão disponíveis nas bilheteiras do Theatro Circo.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

“O EXORCISTA”

O Fx transmite hoje o filme “O EXORCISTA”, às 22.00h. O filme conta a história de, Regan MacNeil, de 12 anos, está possuída pelo Diabo. Depois de esgotar todas as possibilidades para recuperar a filha, a mãe de Regan recruta o padre Damien Karras para levar a cabo o ‘exorcismo’. Ajudado pelo misterioso jesuíta Merrin, o padre Damien vai confrontar este terrível fenómeno sobrenatural enquanto lida com a sua própria falta de fé e o sentimento de culpa pela morte recente da mãe.

Sexta, 15 de Fevereiro às 22h00

Ciclo Segundas TAGV

Estrela Solitária

Teatro Académico de Gil Vicente

Coimbra
Estrela Solitária
de Wim Wenders [França/Alemanha/EUA, 2005,122’, M/12]
Outrora herói em grandes westerns, Howard Spence só consegue hoje papéis secundários. Com uma vida solitária, afoga o desgosto em álcool, droga e mulheres. Até que um dia descobre que pode ter um filho cuja existência desconhecia, possibilidade que acende nele uma luz de esperança. Ao refazer os passos do passado, reencontra Doreen, uma mulher que amou, e Earl, o seu filho cantor, que já não precisa de um pai…


Preçário
Preço normal 4,50€
Preço estudante 3,50€
Informações e reservas
Teatro Académico de Gil Vicente
Praça da República, Coimbra
http://www.uc.pt/tagv
http://blogtagv.blogspot.com
Bilheteira
Horário 17h00-22h00
Telefone 239 855 636
E-mail
teatro@tagv.uc.pt

“Chovem amores na rua do matador” passou pelo TAGV

CHOVEM AMORES NA RUA DO MATADOR
passou pelo TAGV


A peça “Chovem amores na rua do matador” é uma das propostas do Projecto Interiores da companhia Trigo Limpo teatro ACERT. Este projecto desafia os escritores convidados a encontrarem a personagem que, em registo de monólogo, demonstre ao público da sala a sua visão individual do mundo e daqueles que os rodeiam.
O primeiro espectáculo deste projecto estreou em Dezembro de 2006 com o título “Duas histórias de solidão, duas histórias sós”.
Uma belíssima peça que oferece ao espectador um diálogo desencontrado entre Baltazar Fortuna; Chubichuba;Judite Malimali e Ermelinda Fetinha (mãe e filha).
Este conjunto de dois actores que habitam o mesmo espaço da nossa memória transmitem-nos cheiro; palavras sons; e gestos das personagens que povoam a cena.
Transmite-nos a relação entre amor tragédia e morte, vivida numa única rua: a rua do matador.
Mafalda Mesquita

Devido a problemas técnicos não nos foi possível publicar com mais antecedência este texto referente à peça “Chovem amores na rua do matador”, levada a cena no TAGV nos dias 12 e 13 de Fevereiro.
Aos nossos leitores, à companhia Trigo Limpo teatro ACERT e ao TAGV, pedimos desculpas por eventuais transtornos causados.

Festa na BauHaus


Ana Moura no Centro de Artes e Espectáculos de Portalegre


O Regresso de Ana Moura



Ana Moura regressa aos palcos portugueses
16 de Fevereiro 21H30 Centro de Artes e Espectáculos Portalegre

Depois de uma longa tour pelo estrangeiro (Holanda, Bélgica, França, Alemanha e Espanha), onde cantou em diversas salas para os mais variados públicos, Ana Moura regressa a Portugal para mais uma série de concertos antes de partir para os Estados Unidos.

Assim, já no próximo dia 16 de Fevereiro será possível escutar a fadista de “Fado da Procura” ao vivo no Centro de Artes e Espectáculos de Portalegre, estando na semana seguinte, dia 23, no Teatro Augusto Cabrita no Barreiro.

Neste espectáculo serão apresentados temas do início da sua carreira como “Sou do Fado, Sou Fadista” ou “Guitarra” e também novas letras, músicas e parcerias, onde canta poemas de Fausto (E Viemos Nascidos do mar) ou Amélia Muge (O Fado da Procura), temas do seu último trabalho “Para Além da Saudade”.Um dos pontos altos da noite será, com certeza, a descoberta ao vivo de “Os Búzios” (Jorge Fernando), tema single de lançamento deste novo disco.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Ciclo Ruy Duarte de Carvalho no Centro Cultural de Belém

CICLO RUY DUARTE DE CARVALHO

ATÉ 17 FEVEREIRO 2008
CENTRO CULTURAL DE BELÉM

13 FEV
Quarta-feira, Sala de Ensaio, 21h
Preço: 2€
NELISITA: NARRATIVAS NYANEKA
14 FEV
Quinta-feira, Sala de Ensaio, 21h
Preço: 2€
MOIA: O RECADO DAS ILHAS
O cinema de Ruy Duarte de Carvalho será apresentado em dois diferentes suportes: a projecção das duas longas-metragens de ficção que realizou, Nelisita: narrativas nyaneka, de 1982, e Moia: o recado das ilhas, de 1989, e a apresentação dos seus documentários, no âmbito da exposição que decorrerá na Galeria Mário Cesariny.

CINEMA E ANTROPOLOGIA PARA ALÉM DO FILME ETNOGRÁFICO
RUY DUARTE DE CARVALHO
Ao longo dos 3000km percorridos desde Luanda até ao interior do deserto do Namibe, havíamos atravessado quatro das nove áreas linguísticas do país e nada menos de quinze populações etnicamente diferenciáveis. Desta viagem resultaria uma série de documentários cuja estruturação e montagem nos impuseram uma reflexão que muito rapidamente nos conduziria para além do domínio do cinema. Para realizar um trabalho adaptado à realidade nacional impunha-se-nos assumir uma consciência alargada ao conjunto das componentes que faziam da totalidade do país o lugar de uma única euforia. Uma euforia perante a qual, no entanto, nós não podíamos deixar de experimentar um sentimento ambíguo de encantamento e de angústia, espanto e entusiasmo, tão numerosas e particulares se revelavam as suas expressões locais. Tornava-se-nos claro, assim, que deveríamos levar o nosso esforço de esclarecimento para além da simples tomada de consciência que animava então todos quantos se achavam em condições de ler e de informar-se. De facto, se a História nos ajudava a compreender algumas das particularidades detectadas nos 1.250.000 km2 de território nacional, nomeadamente as que resultavam de um desenvolvimento desigual das forças produtivas, como tinha passado a dizer-se então, ela não se mostrava suficientemente operatória para prover à compreensão das diferenças de ordem cultural que se nos deparavam cada vez que nos víamos confrontados ao material que desfilava na mesa da montagem.
Uma vez mais, e à semelhança do que nos havia acontecido em relação ao exercício de outras actividades, se nos impunha recorrer a outra forma de conhecimento e informação, a antropologia, enriquecida agora pela reflexão francesa que nos chegava através de obras para as quais Angola tornada independente constituía então um terreno particularmente receptivo. A necessidade de recorrer à antropologia iria revelar-se ainda mais premente quando alguns meses depois decidimos orientar a nossa actividade para o tratamento de problemas afectos às populações do sul do país, escolhendo o sector rural como campo de acção por ser esse o terreno que melhor conhecíamos, aquele a que afectivamente nos sentíamos mais ligados e, sobretudo, porque dizia respeito à realidade de mais de 80% da população angolana.
Deste novo projecto resultaria uma série de 10 documentários que foram apresentados, a alguns públicos, precedidos do texto seguinte:
“O trabalho completo totaliza cerca de seis horas de cinema, repartidas em 10 filmes cuja duração varia entre 20 e 60 minutos, e constitui uma abordagem preliminar e global ao presente da população mumuíla, do grupo étnico-linguístico Nyaneka-Humbe, sudoeste de Angola”.“Cinema etnográfico? Sê-lo-á também aquele cinema que, ocupado com situações actuais e problemas pontuais, não pode por isso dispensar a referência, a fixação e o tratamento de elementos ou dados culturais afectos aos domínios da antropologia, mas vivos e portanto actuantes no terreno do confronto (cultural, social e político) entre um passado cujas fórmulas se mantiveram para além e apesar da acção colonial (de memória ainda recente) e as propostas de futuro (actualização, modernização, progresso) que o tempo, os tempos, inexoravelmente impõe, impõem?”“A arena deste confronto é extremamente vasta quando as circunstâncias se conjugam de forma a condensar a História: colonização superficial, independência recente, urgência na acção política”.“Tyongolola, chefe de linhagem, cuja mãe é viva ainda e terá sido testemunha da instalação dos primeiros brancos na região, preside aos funerais de um sobrinho morto por acidente nas obras de uma barragem que se constrói a 20 km de sua casa”.“Entre a sede do antigo reino do Jau, onde todos os anos se cumpre ainda a cerimónia de encerramento do cortejo do boi sagrado, manifestação ritual que envolve toda a população do reino e pressupõe a cessação de qualquer actividade económica durante um período de dois meses, e a Universidade do Lubango, onde as novas gerações (futuros dirigentes, saídos alguns também desse mesmo antigo reino) são iniciadas nos termos de uma actuação adaptada aos imperativos de um modelo de desenvolvimento que se quer industrial, distam apenas 40 km”.“Que pensam, uns dos outros, do lugar que ocupam no mundo e do próprio mundo que ocupam aqueles que, perante a câmara, são chamados a depor?”“Nem a busca de sobrevivências culturais nem a sua subestimação. Nem a exaltação das propostas políticas nem a sua escamoteação. Uma linha de equilíbrio entre dois dinamismos: o de um tempo mumuíla e o de um presente angolano. Percorrê-la afoitamente, sensível à precariedade dos dias e das horas. Interrogar? Nem isso. Expor apenas, talvez, e garantir ao filme uma autonomia que lhe permita simultaneamente revelar-se válido como cinema, útil como referência (criar, encontrar nele um clima de síntese que facilite a leitura e a avaliação das situações) e fiel como testemunho. Talvez assim se consiga estabelecer uma delicada zona de compromisso entre quem fornece os meios, quem os maneja e quem depõe, se expõe perante os mesmos”.
Do exposto se infere qual é a nossa posição relativamente ao cinema que escolhemos fazer. O profissional de cinema tem plena consciência de que para fazer um trabalho de acordo com a realidade nacional deve munir-se de instrumentos de reflexão que lhe permitam escolher o que deve filmar e como fazê-lo. Ele sente-se autoconduzido à escolha de temas que legitimem o emprego do seu tempo de trabalho, e do da sua equipa, numa actividade não directamente produtiva e numa conjuntura em que a reabilitação da economia e da organização se impõe a todos como tarefa prioritária. Ele deve dotar-se, através do cinema, de uma capacidade de participação que se inspire sem ambiguidade no movimento de libertação que anima, a todos os níveis, o espírito de qualquer nação que adquire a sua independência política.


DA TRADIÇÃO ORAL À CÓPIA STANDARD, A EXPERIÊNCIA DE NELISITA
Sabemos que poderá parecer sacrílego o que vamos dizer a seguir, mas estamos cientes de que qualquer filme angolano, partindo de elementos culturais muito diferentes daqueles que normalmente alimentam os mercados do cinema, de uma maneira geral afectos a configurações sociais mais ou menos próximas de quadros ocidentalizados, tem que se haver com problemas muito específicos de leitura, da ordem pelo menos dos que ocorrem com outras cinematografias regionalizadas, africana sou não. Se não vemos nenhuma vantagem em fazer filmes de difícil leitura, também não nos parece legítimo sacrificar dados culturais autonomamente existentes e viáveis nos seus contextos de origem a uma interpretação ou explicação etnocêntricas. Se em Nelisita se mata um boi por asfixia (planos 145 a 148), não nos sentimos minimamente obrigados a esclarecer que, naquelas circunstâncias, se procede assim — isso é evidente na projecção — nem tão pouco o porquê de uma tal prática.
Para os Mumuílas da estória, exótico seria matar o boi de outra forma. E ninguém se sente obrigado, num filme europeu, por exemplo, a explicar por que se mata o boi por punção. Desde que para o desenvolvimento da narrativa fílmica o importante seja a morte do boi, e não a forma como ele é morto, não vemos por que haveríamos de nos deter neste segundo aspecto.
Tudo quanto acabamos de dizer pretende sublinhar que o cinema que temos feito quer-se antes do mais cinema tal qual e de forma alguma cinema etnográfico. O cinema etnográfico tem a sua oportunidade, o seu lugar, o direito de recorrer a tudo quanto o define, e mesmo em Angola chegará o tempo em que ele assumirá a posição e o papel interventivo que lhe cabem. Achamos, por outro lado, que se nos desviarmos da discussão sobre qual dos modos deve impor a forma, o do cinema ou o da antropologia, e atendermos ao facto de que estamos debatendo um meio de participação e esclarecimento que utiliza determinado material humano através de processos cinematográficos, chegaremos sem dúvida à conclusão de que interessa obter um produto que corresponda à especificidade do contexto em que se insere. O facto de não se deter objectivamente na fixação de determinados comportamentos, ou de não se apoiar num discurso explicativo, não impede que ele utilize, como material fílmico, configurações que comportam elementos culturais muito diferenciados daqueles que normalmente alimentam os mercados de cinema. Que ele imponha assim um trabalho de terreno com características comuns ao exercício da antropologia, que ele exija um apetrechamento intelectual que terá que recorrer às fontes de conhecimento dispensadas pela antropologia e, finalmente, que se proponha como informação que alarga o conhecimento antropológico sobre a sociedade filmada, são dados que apenas vêm confirmar o nosso ponto de vista.
Que se depara perante os Mumuílas? Uma população angolana face a problemas a que uma determinada configuração cultural confere uma correspondente caracterização regional dentro da realidade geral do país, realidade essa que, como também já se disse, impõe o exercício de um cinema fortemente adjectivo pela actualidade e, logo assim, imperativamente actuante.
O cinema retira a sua especificidade como via de expressão do facto de fornecer imagens que estabelecem uma ideia, ou a seguem, ou a desenvolvem, ou a ilustram. Não é possível em cinema dizer simplesmente — homem — como em poesia, por exemplo. É preciso mostrar o homem.
Em cinema tudo vem adjectivado pela multiplicidade de sinais que constituem o fotograma. Acresce que as condições infra-estruturais do cinema angolano nos impõem a utilização de décors naturais e de material fílmico recolhido mais ou menos directamente da realidade vigente, social, económica, cultural e política. Esta circunstância, que poderia ser considerada como uma limitação, pode outrossim vir ao encontro das exigências do cineasta para quem o cinema constitui o terreno da sua actividade cívica num contexto nacional como é o de Angola. É do cinema, insistimos, que ele retira o salário que lhe permite viver integrado numa sociedade que as circunstâncias colocaram numa fase de “reconstrução nacional” e onde o maior esforço deve ser canalizado para a “resolução dos problemas do povo”, como refere um slogan político que não pode, de facto, e nas suas intenções, sofrer contestação em si mesmo, para além das críticas que possam merecer certas práticas desconcertantes que se apoiam em palavras de ordem deste tipo. O povo angolano, com a sua realidade e os seus problemas, pode assim, facilmente e sem reservas, constituir-se como o material que lhe interessa praticar enquanto Angolano a quem cabe fazer filmes e aos quais ele próprio exige a capacidade de se constituírem como forma de intervenção posta ao serviço do seu objecto de trabalho: o próprio povo que se deixa filmar.
Ao praticar um tal cinema o cineasta terá em vista, logo à partida, fornecer materiais que através da sua posterior divulgação possam informar, apoiar ou influenciar um esforço de que resulte minimizado o fenómeno das roturas e das violências culturais e sociais. O respeito pelas culturas nacionais não vai, muitas vezes e infelizmente, além da preservação e do culto de sobrevivências mais ou menos cristalizadas que apenas apreendem e têm em conta o que constitui a sua substância exterior e mais evidente. Ora o recurso à antropologia terá assim o papel de garantir um suporte significante ao material fílmico de forma a não iludir o significado do mostrável/mostrado: a dimensão do gesto, a dinâmica do tempo, a identidade do espaço.
Posição possível a partir da perspectiva exposta: Procurar fazer filmes que se constituam como peças adequadas à realidade angolana, tendo simultaneamente em conta os interesses de quem deixa filmar, de quem fornece os meios para que se possa filmar, de quem consome o cinema e de quem filma, tudo isto sem perder de vista uma outra exigência: que sejam filmes cinematograficamente válidos. Porque se assim não for vale mais a pena, com vantagens para todos, que o cineasta em questão invista o seu esforço em qualquer outra actividade útil, eficaz, interessante e correcta.
A maioria dos Estados africanos, na qual se situa Angola, constitui entidades políticas em que se verifica uma grande diversidade de culturas nacionais. Coexistem dentro do seu território várias “ex-nações” que preservam com maior ou menor grau de evidência os sinais da sua especificidade cultural e atestam estados muito diferenciados dos desenvolvimentos das forças produtivas, relações sociais de produção e reprodução, etc. A antropologia tenderá assim a fazer-se reconhecer aí como um instrumento indispensável à compreensão dos problemas humanos, à análise das situações que os constituem e à aplicação das soluções que os ultrapassem.
O cinema em Angola, por imperativos de capacidade e de opção, ocupa-se e decorre da realidade nacional. Ao pretender tratar com seriedade os materiais que aborda, o cineasta será levado a procurar junto da antropologia o apoio que esta pode dispensar-lhe enquanto modalidade de conhecimento e método de inquérito e de análise. A antropologia fornecerá um suporte significante aos elementos fílmicos que o ocupam, sem o qual as imagens e o som apenas aflorarão, no melhor dos casos, ou iludirão, o que é mais comum, o significado do que é proposto: a dimensão dos gestos, a marca das atitudes, a dinâmica do tempo, a identidade do espaço.
Angola é um país do Terceiro Mundo. Em relação à antropologia clássica situa-se francamente no hemisfério do observado. Que revolução, porém, estará em curso para a própria antropologia quando o observado se transforma em observador e, dificuldade teórica maior em relação ao ser e ao modo da disciplina, se observa a si mesmo? Que acontece quando o observado assume a palavra? Talvez ocorra aí a oportunidade de ver a antropologia aproximar-se do cinema para beneficiar, por sua vez, dos recursos e do método cinematográficos.
Recusamos entretanto, no contexto de Angola, a hipótese do filme etnográfico. Colocamo-nos assim ao lado da grande maioria dos cineastas africanos, embora não exactamente pelas mesmas razões. Não partilhamos a marcada antipatia que a antropologia lhes merece e que está talvez na base da sua atitude de recusa. Entendemos apenas que Angola não dispõe de recursos cinematográficos, técnicos e humanos, suficientes para encarar como imediatamente viável o emprego do seu potencial produtivo na realização de trabalhos cuja preocupação maior é de aliar o rigor antropológico à expressão cinematográfica.
Angola pode produzir filmes que lhe permitam situar-se perante a sua realidade, em termos de cinema, com uma oportunidade e uma segurança suficientes para assegurar ao tratamento dos problemas humanos o respeito pela globalidade das implicações que os informam.
Proporíamos assim a hipótese de uma prática cinematográfica e antropológica que, aplicada a Angola, retirasse o benefício da sua interacção sem incorrer na fatalidade do filme etnográfico. O cinema recorreria à antropologia, esta recorreria ao cinema e estabelecer-se-ia entre ambos um debate que visasse um equilíbrio de objectivos e de funções.
E é assim que, retomando as considerações atrás enunciadas sobre os interesses implicados na produção de um filme, e acrescentando-lhes as que acabamos de produzir, chegaríamos enfim a uma nova fórmula, síntese final da nossa opinião: Objectivo teórico global para o cinema angolano: produzir filmes cientificamente correctos, socialmente operantes, cinematograficamente válidos, eticamente honestos e publicamente viáveis.
A questão, pensava eu ao deixar Manchester numa manhã de doce Outono e escassa chuva, talvez continue a situar-se, e esteja condenada a situar-se sempre, no exacto campo de uma dificuldade fundamental e antiga: assegurar para um produto que busca a sua especificidade e a sua legitimidade na natureza científica do discurso que utiliza, ou visa utilizar, uma audiência que o consuma de forma a justificar e a garantir-lhe a sua reprodução. Que tal produto existe, quem duvida? As amostras que o revelam e o exibem multiplicam-se pelo mundo, as universidades adoptam-no e os circuitos comerciais, sobretudo através do mercado televisivo, não descuram indícios de procura que a troco de determinadas fórmulas de apresentação justificam a sua distribuição. Mas o drama subsiste.
O seu consumo é precário. Nunca a divulgação da ciência visou o grande público, é bem de ver, e quando o tenta, e consegue, pela via escrita, o que produz são textos que alcançam a sua viabilidade massiva precisamente porque atendem àquilo que o consumo massivo lhes pede: a satisfação de curiosidades e de informações comuns e bastantes às exigências, às necessidades e às capacidades de um público tão quantitativamente expressivo quanto possível. A questão que se põe, portanto, é esta: estará, desde sempre e por definição, o filme etnográfico condenado a não poder existir fora dos parâmetros de facilidade e banalização que afinal lhe garantem um público? Eu estou a falar do filme etnográfico acabado e pronto para projecção pública, sem a qual não tem acesso à república do “cinema”, e não, evidentemente, da footage registada e utilizada como material de pesquisa, nem dos resultados de uma organização desse mesmo registo para exposição dos resultados ou apoio ao ensino em círculos especializados; mais ou menos universitários. Estou a falar daquele artigo de consumo que atesta a profissionalidade de qualquer tipo de cinema e que, para além de tempo e de energia, precisa de dinheiro para ser feito, de estruturas de produção que tenham em conta a qualidade, técnica e estética, do produto final, e de estruturas de distribuição que o projectem enquanto objecto sujeito às dinâmicas da competição. Sem isso não há filme etnográfico, pura e simplesmente porque não há filme.
Em Manchester, neste Festival Internacional do Filme Etnográfico, uma leitura assim estava tornada óbvia. A suportá-lo e omnipresente, achava-se Granada Television e o seu programa Desappearing World.
Desappearing World… Aqui se iniciam as interrogações, se inaugura a questão … Título de uma série, constitui certamente o primeiro gesto de sedução destinado a cativar um público cuja resposta possa garantir a viabilidade de um projecto capaz de abrir um lugar e uma oportunidade aos profissionais de cinema e aos antropólogos a quem se deve essa categoria cinematográfica que dá pelo nome de filme etnográfico (de tão inequívocos méritos na história do cinema, aliás, que seria injusto não olhar por ela). Não comporta a expressão Desappearing World, porém e desde logo, uma atitude ética e teórica que a reflexão moral e política, a consciência e o debate antropológicos pareciam ter de há muito ultrapassado, pela mão também, talvez importe sublinhar aqui, de Gluckman ele mesmo e da própria escola de Manchester? Assim, o que pode servir comercialmente pode não convir à identificação pública de uma disciplina ou de uma ciência, ou iludir mesmo o seu posicionamento teórico mais dinâmico e adequado ao estatuto geral das ciências. Para quantos antropólogos activos e determinantes, o mundo que constitui o seu objecto de observação se lhes apresenta como um mundo em desaparecimento?
Que etnocentrismo, que imobilismo prevaleceria ainda nas fileiras da sua ciência que lhes impedisse a constatação basilar de que os processos que testemunham e analisam nos seus terrenos de pesquisa não são sinais de um mundo que desaparece, mas sim de um mundo que se transforma, de um mundo que emerge, carga positiva, de um Changing World? Estaria essa tribo de homens brancos, meio calvos e grisalhos, e de mulheres indecisas entre os atributos de uma elegância clássica e aqueles que insinuam uma funcionalidade de terreno, disposta a ser encarada como uma elite de zeladores do passado, de sobrevivências culturais, guardiães de uma nostalgia de todo estranha aos actores dos seus filmes, aos agentes sociais que os povoam, prospectores e divulgadores da diferença não para integrá-la num mundo de todos, mas para situá-la num mundo culturalmente hierarquizado? Ao sair de Manchester, naquela manhã de tão doce Outono inglês, eu estava a voltar para casa, estava a voltar para o continente onde tinham sido rodados alguns dos mais notáveis filmes exibidos e premiados no festival que findava, para a terra dos “profetas” e dos healers, dos travellers e dos nomads, para o território das Women who Smile. No meu país, entretanto, o drama do momento era o da troca da moeda para acorrer ao desastre de uma economia incontrolável, era a declaração de falência de um sistema e a balbuciante tentativa da sujeição a um outro, era a guerra a multiplicar ruínas, culturais até, era ao Sul o desacerto a dividir a luta contra o apartheid, era ao Norte a Libéria a expor-se desventrada. Que cada um agora, eu cidadão da África e eu antropólogo branco e grisalho, digerisse a sua imagem de África.

Workshops de dança

Fernando Pessoa em Braga


Turismo Infinito

amanhã no Teatro Circo



“Turismo Infinito”, trabalho dramático de António Feijó, fundamentado em Fernando Pessoa e seus heterónimos, chega ao Theatro Circo amanhã, 15 de Fevereiro (21h30), colocando em palco as múltiplas vozes de um dos mais emblemáticos nomes da literatura portuguesa.


Desenvolvido a partir de textos de Pessoa e três cartas de Ofélia Queirós, “Turismo Infinito”, uma produção do Teatro Nacional São João com encenação de Ricardo Pais, que orientou o projecto «a pensar metodicamente no espectador que não conhece Pessoa», expõe, perante o público, a mente do poeta num esquema cenográfico de três blocos distintos.
Interpretada pelos consagrados João Reis (Álvaro de Campos), Emília Silvestre (Ofélia Queirós), Pedro Almendra (Fernando Pessoa), José Eduardo Silva (Bernardo Soares) e Luís Araújo (Alberto Caeiro), a peça dirige-se ao público em geral, constituindo igualmente um especial interesse para os alunos da disciplina de Português do Ensino Secundário, em cujo programa Fernando Pessoa se consubstancia numa figura de elevada preponderância.

Num primeiro bloco, Bernardo Soares e Álvaro de Campos entram em cena. Guarda-livros na Rua dos Douradores, em Lisboa, Soares é Pessoa por defeito, «um ininterrupto devaneio», por sua vez, Álvaro de Campos, engenheiro naval, é Pessoa por excesso, «a exuberância que este não se permitiu ter».
A este primeiro bloco segue-se uma transcrição com uma carta da corcundilha ao serralheiro, em que a autora descreve, a sós, um tipo particular de pobreza.
No segundo bloco, Álvaro de Campos mantém-se em palco, acompanhado por “Fernando Pessoa”. Os textos descrevem experiências divididas, concretamente no caso de “Pessoa”, duas experiências diferentes que se cruzam no mesmo texto.


Com Campos «perfilam-se poemas sobre viagens e sobre a experiência cindida do viajante». Ainda nesta fase, uma transição liga autobiografia e criação poética, processo exemplificado na correspondência entre Pessoa e Ofélia Queirós.
Exibindo um resultado sádico dos impasses descritos nos textos anteriores, bem como diversas tentativas de os reparar, o terceiro bloco acaba por revelar um esforço aparentemente ineficaz por redundar numa contracção sentimental do sujeito.
Para finalizar, o epílogo introduz Alberto Caeiro, em quem Pessoa via a resolução olímpica dessas tensões interiores insanáveis. Contudo, esta resolução é momentânea, traduzindo-se, de facto, num epitáfio.
Considerado um dos maiores poetas da língua portuguesa, Fernando Pessoa (1888-1935) distinguiu-se pela vida discreta que dedicou a actividades como o jornalismo, publicidade, comércio e, principalmente, literatura, em que se destacou como o maior autor da heteronímia.
Sobre esta característica do seu estilo literário que o levou a dar voz a Álvaro de Campos, Ricardo Reis, Alberto Caeiro, Bernardo Soares, e a muitos outros com menor expressão, é nas palavras do próprio Fernando Pessoa que se encontra a mais completa e clara abordagem: «o que sou essencialmente – por trás das máscaras involuntárias do poeta, do raciocinador e do que mais haja – é dramaturgo; o fenómeno da minha despersonalização instintiva, a que aludi em minha carta anterior, para explicação da existência dos heterónimos, conduz naturalmente a essa definição».
Em carta a Adolfo Casais Monteiro, Fernando Pessoa prossegue: «sendo assim, não evoluo: VIAJO; (por um lapso da tecla das maiúsculas, saiu‑me sem que eu quisesse essa palavra em letra grande; está certo, e assim deixo ficar); vou mudando de personalidade, vou (aqui é que pode haver evolução) enriquecendo‑me na capacidade de criar personalidades novas, novos tipos de fingir que compreendo o mundo, ou, antes, de fingir que se pode compreendê‑lo; por isso dei essa marcha em mim como comparável, não a uma evolução, mas a uma viagem - não subi de um andar para outro, segui, em planície, de um para outro lugar».

Os ingressos, a 8 euros para o público em geral e a 5 euros para escolas, estão disponíveis nas bilheteiras do Theatro Circo.

David Fonseca em Braga

“Dreams in Colour” é o terceiro álbum de originais que David Fonseca apresenta, a 16 de Fevereiro, às 22h00, na Sala Principal do Theatro Circo, num concerto cuja primeira parte é assegurada pela revelação Rita Redshoes.

Na sequência do sucesso alcançado com “Sing Me Something New” (2003) e “Our Heart Will Beat As One” (2005), “Dreams In Colour” surge em 2007 com sonoridades mais optimistas e luminosas que os seus antecessores, mas igualmente votadas aos primeiros lugares dos “tops”, como é o caso do “hit” “Superstars” ou de uma inesperada versão de “Rocket man”, de Elton John. Em plena digressão pelos palcos nacionais com concertos ao vivo que se caracterizam pela energia e intensidade, David Fonseca, que se afirmou como um dos mais bem sucedidos e carismáticos músicos portugueses até à data, traz ainda a Braga algumas das canções que contribuíram para o êxito dos trabalhos anteriores. Constituído por dez faixas, designadamente “4th Chance”, “Kiss Me, Oh Kiss Me”, “Silent Void” ou “This Raging Light”, entre outras, o seu mais recente trabalho assinala também o regresso de David Fonseca à realização de videoclips, com “Superstars” a estrear on-line com 35 mil vizualizações.

Com uma imagem inevitavelmente associada aos Silence 4, primeiro projecto musical que fundou a meados dos anos noventa e com o qual conquistou o reconhecimento da crítica e do grande público, David Fonseca é o responsável pela criação de músicas que resultam de diferentes influências e estilos, em que sons acústicos se misturam com um amontoado de “rock” e electrónica, a que se acrescentam ainda as suas já provadas capacidades como letrista. Nomeado em 2006 pelos “MTV European Music Awards” para a categoria de Melhor Artista Nacional, David Fonseca conseguiu com o primeiro single, “Someone That Cannot Love”, que foi tocado em simultâneo em 150 estações de rádio portuguesas, antever a promissora carreira a solo, que se consolidou em 2005 ao atingir o estatuto de disco de ouro na primeira semana de lançamento de “Our Hearts Will Beat As One”. De entre as várias colaborações que tem vindo a estabelecer, destaca-se o projecto Humanos, desenvolvido com Manuela Azevedo e Camané, que se consubstanciou na interpretação de temas inéditos de António Variações.


OS CORAÇÕES DE ATUM

Atum em Corações no Maxime




OS CORAÇÕES DE ATUM

acabados de chegar da Terra Nova
sexta dia 15 de Fevereiro

Cabaret Maxime em Lisboa


Fevereiro é o mês do atum (dizem que é o mês da lampreia, mas a gente não acredita…). Abril será o dos caracóis, e Agosto o dos mosquitos. Mas nós entendemos que Fevereiro é, por excelência, o mês dos atuns apaixonados – ou não fosse Fevereiro o mês dos namorados!
Para atuns – e outros seres vivos - em estado de paixão absoluta, temos o prazer de servir um concerto de Jazz com escamas! Mas não servimos umas escamas quaisquer! As nossas escamas – também conhecidas por “asas de mosca”, são em forma de coração e também servem para voar!
Este convite é extensivel a solitários e ostracizados deste mundo, que deste modo também podem comparecer a esta orgia de elixir do amor e voar a valer ao som do conjunto – OS CORAÇÕES DE ATUM – acabados de chegar da Terra Nova, na sexta dia 15 de Fevereiro - Cabaret Maxime em Lisboa.

Joaquin Murieta na Póvoa do Varzim


Joaquin Murieta na Póvoa do Varzim


A preto e branco o retrato do perigoso e sedutor Joaquin Murieta, o salteador, projectado numa tela branca, constituiu o cenário de abertura de "Cantata para o honorável bandido chileno Joaquín Murieta", espectáculo que O Teatro Art' Imagem apresentou, em ante-estreia, no Novotel Vermar, na abertura do Correntes d´Escritas .

Três actores em palco, num espectáculo musical para café-teatro construído a partir da peça "Fulgor e Morte de Joaquín Murieta" de Pablo Neruda, foram narrando a história do lendário personagem do poeta chileno. Anabela Nóbrega, Pedro Carvalho e Valdemar Santos deram corpo a esta que é a 89ª criação do Teatro Art'Imagem, construída pelo encenador Roberto Merino a partir do texto original de Pablo Neruda, traduzido por Viale Moutinho, com a direcção musical de Tilike Coelho.

A peça original, de Neruda, narra a história de Joaquín Murieta, um emigrante chileno que chega à Califórnia em 1830 durante a Febre do Ouro, mas, em vez de oportunidades, Murieta encontra racismo e discriminação, materializada na aprovação de uma lei que obrigava os mineiros latino-americanos a pagarem um pesado imposto. Impossibilitado de ganhar a vida legalmente, Murieta junta-se a um bando e torna-se numa figura lendária, eternizada como exemplo de rebeldia perante a injustiça, sendo morto em 25 de Julho de 1853 por um grupo de "rangers".

A obra original de Neruda "Fulgor e Morte de Joaquín Murieta" tem sido considerada pela crítica como uma peça de teatro, poema épico, cantata dramática e mesmo uma oratória insurreccional.

Ruy Duarte de Carvalho ganha Prémio Literário do Casini da Póvoa


Ruy Duarte Carvalho
venceu o Prémio Literário Casino da Póvoa,


O anúncio foi feito durante a Sessão Oficial de Abertura da 9ª edição do Correntes d’Escritas, no Casino da Póvoa.


O Correntes d’Escritas inclui ainda a atribuição de um outro prémio no valor de 750 euros, este de carácter juvenil.

Assim, o Prémio Literário Correntes d’Escritas/Papelaria Locus, para jovens entre os 15 e os 18 anos, foi atribuído a Leonor Campos, pseudónimo de Maria Beatriz Fernandes de Moura Soares, que venceu com o conto
Bavaroise… de Joana.
Foi, então, num ambiente de festa e de reencontro entre velhos amigos do Correntes d’Escritas que teve início este Encontro de Escritores de Expressão Ibérica, que decorre até 16 de Fevereiro, data em que são entregues os prémios aos vencedores.


Foram ainda assinados os protocolos entre a Câmara Municipal e o Casino da Póvoa e a Papelaria Locus para a atribuição dos Prémios Literários em 2009 e lançado o número sete da revista Correntes d’Escritas, cujo dossiê é dedicado a Eduardo Prado Coelho, um amigo da Póvoa e do Correntes d’Escritas, como fez questão de frisar Luís Diamantino, Vereador do Pelouro da Cultura, aquando da apresentação da revista.
A cerimónia terminou com a intervenção de José Macedo Vieira, Presidente da Câmara Municipal, que sublinhou a importância deste evento para a Póvoa de Varzim e para o panorama cultural do país “direccionado para a promoção do livro e da leitura”. Dirigindo-se à plateia, onde estavam já muitos dos mais de 60 convidados para esta edição do Correntes d’Escritas, Macedo Vieira não deixou de sublinhar o contributo destes “para que a leitura e o livro sejam o despertador do sonho e das consciências da nossa colectividade”.
O Correntes d’Escritas continua no Auditório Municipal com a Conferência de Abertura sobre “A Importância dos Livros”,a cargo de Marcelo Rebelo de Sousa.

" A Guerra " de Goldoni estreia hoje no D.Maria II

Estreia hoje no Teatro Nacional de D.Maria II
a peça de Goldoni " A GUERRA "

Para assinalar o encerramentodas comemorações dos 300 anos de Carlo Goldoni, o encenador José Peixoto leva hoje à cena no Teatro Nacional de D.Maria II " A GUERRA " que para muitos é uma das melhores de Goldoni e que constitui um marco na obra do dramaturgo.

A Guerra é aqui a protagonista de uma peça que pretende desvendar os bastidores dos conflitos bélicos, palco de interesses e injustiças.Representada pela primeira vez no Teatro de San Luca, no Carnaval de 1760, esta peça do século XVIII é de uma actualidade evidente.
Um exército invade uma região. As forças atacadas recolhem a uma fortaleza. Mas a sorte determina que a filha do Comandante seja feita prisioneira. E fica nas instalações do Comissário abastecedor dos exércitos atacantes.Florida ,de seu nome ,apaixona-se por um militar da facção contrária. E vive a inquietação de perder o Pai ou o namorado.
Pode ser uma história de amor mas sobressaiem aqui o patriotismo , a honra, a coragem que tentam vencer a violência, o oportunismo e o enriquecimento que os conflitos armados permitem aos menos escrupulosos.
" A GUERRA" é uma reflexão actual sobre a forma como os seres humanos arquitectam os seus conflitos.

Ficha Artística

Encenação e Dramaturgia José Peixoto
Cenário João Rodrigues
Com : Álvaro Corte Real, Carla Carreiro mendes, Elsa Valentim, Guilherme de Noronha, Jorge Baião, Jorge Silva, José Russo, Juana Pereira Silva, Luis Barros, Maria Marrafa, Mário Barradas,Patrícia André, Ricardo Alves, Rui Nuno, Simon Frankel, Tiago Mateus e Victor Zambujo.