Ainda em 1994, aborda pela primeira vez o cinema fazendo os cenários e realizando a longa-metragem Le Confessionnal, apresentado no ano seguinte na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes. Em seguida, realizou Le Polygraphe (1996), Nô (1997), Possible Worlds (2000), uma primeira longa-metragem em inglês (versão original) e, por fim, em 2003, a adaptação para cinema da sua peça La Face cachée de la Lune.
Foi com o seu incentivo que o centro de produção pluridisciplinar a Caserne nasceu em Junho de 1997, em Quebeque. Nestes novos espaços, Robert Lepage e a sua equipa criaram e produziram La Géométrie des miracles (1998), Zulu Time (1999), La Face cachée de la Lune (2000), La Casa Azul (2001), The Busker’s Opera (2004), uma nova versão de La Trilogie des Dragons com novos actores (2003), ópera 1984 baseada no romance de Georges Orwell, com direcção musical do maestro Lorin Maazel (2005), Le Projet Andersen (2005), a nova criação de Ex Machina Lipsynch (2007) e The Rake’s Progress ópera de Igor Stravinsky apresentada numa grande estreia no Théâtre Royal de la Monnaie de Bruxelas, em Abril de 2007.
Como consequência do êxito que obteve recebeu numerosos convites que lhe permitiram aplicar os seus conhecimentos artísticos noutras áreas. Foi com sucesso que encenou as óperas Le Château de Barbe-Bleue e Erwartung (1992). Em 1993, assinou a encenação da digressão mundial do espectáculo de Peter Gabriel, The Secret World Tour. Voltou à cena lírica assegurando a encenação de La Damnation de Faust no Japão, em 1999, e posteriormente em Paris em 2001. Em 2000, participou na exposição Métissages no Museu da Civilização de Quebeque. Em 2002, de novo com Peter Gabriel encenou o espectáculo Growing Up Live. Em Fevereiro de 2005, apresentou KÀ, um espectáculo em permanência do Cirque du Soleil em Las Vegas, do qual foi o criador e encenador.
A obra de Robert Lepage foi coroada de numerosos prémios. Entre os mais prestigiados destacam-se, em 1999, la Médaille des Officiers de l’Ordre National du Québec. Em Setembro de 2000, recebeu o Prémio de La SORIQ (La Sociedade das Relações Internacionais do Quebeque), pelo êxito alcançado fora do Quebeque. Em Outubro de 2001, foi galardoado pela Associação dos World Leaders no Harbourfront Centre, o que sublinha uma vez mais a dimensão da sua carreira internacional. Em 2002, a França presta-lhe homenagem concedendo-lhe a Legião de Honra. Foi nomeado Grand Québécois pela Câmara do Comércio do Quebeque e recebeu o Herbert Whittaker Drama Bench Award pela sua contribuição excepcional para o teatro canadiano. No ano seguinte, recebeu o prémio Denise-Pelletier, a mais alta distinção
concedida pelo governo do Quebeque no domínio das artes do palco, bem como o prémio Gascon-Thomas concedido pela Escola Nacional de Teatro. Em 2004 foi-lhe atribuído o Prémio Hans-Christian-Andersen confiado a um artista excepcional que contribuiu para honrar internacionalmente o nome de Hans Christian Andersen. Em 2005, recebeu o prémio Samuel-de-Champlain concedido pelo Institut France-Canada pela sua contribuição para a cultura francesa, e o prémio Stanislavski pela sua contribuição para o teatro internacional e os êxitos obtidos nas produções La Trilogie des Dragons (“A Trilogia dos Dragões”), Les Sept Branches de la rivière Ota e The Busker’s Opera. Em 2007, o Festival de l’Union des Théâtres de l’Europe concedeu-lhe o prestigiado prémio Europe. Robert Lepage é o artista mais jovem laureado com este prémio, desde Ariane Mnouchkine, o segundo artista não europeu depois de Bob Wilson e o primeiro cuja base de trabalho não se situa na Europa.
FICHA TÉCNICA E ARTÍSTICA :
Texto : Marie Brassard, Jean Casault, Lorraine Côté, Marie Gignac, Robert Lepage, Marie Michaud
Encenação: Robert Lepage
Assistência dramatúrgica: Marie Gignac
Assistente de encenação: Félix Dagenais
Assistente de encenação, versão original: Philippe Soldevila
Interpretação:
Sylvie Cantin: Uma velha chinesa, Stella, Irmã Marie-de-la-Grâce
Jean Antoine Charest: Morin o Barbeiro, oficial americano, enfermeiro e outros
Simone Chartrand: Françoise e outras
Hugues Frenette: Bédard, Lépine o Gato-pingado, Pierre Lamontagne
Tony Guilfoyle:
Crawford, o médico
Éric Leblanc: O velho chinês, Lee Wong, o piloto e outros
Véronika Makdissi-Warren: Jeanne e outras
Emily Shelton: Uma velha chinesa, Yukali (3 gerações)
Música original: Robert Caux
Assistência e arranjos: Jean-Sébastien Côté
Interpretação da música: Martin Gauthier
Cenografia original: Jean François Couture, Gilles Dubé
Assistente de cenografia e de adereços: Vano Hotton
Assistente de adereços: Marie-France Larivière
Desenho de luz: Sonoyo Nishikawa
Desenho original de luz: Louis-Marie Lavoie, Lucie Bazzo
Figurinista: Marie-Chantale Vaillancourt
Assistente: Sylvie Courbron
Multimédia: Jacques Collin
Criação de imagens: Lionel Arnould
Agente do encenador: Lynda Beaulieu
Direcção de produção e de digressão: Louise Roussel
Adjunta de produção: Marie-Pierre Gagné
Direcção técnica: Serge Côté
Direcção técnica (digressão): Patrick Durnin
Direcção de cena: Annie Pilon
Operação de luz: Dominic Minguy-Jean
Operação de som e vídeo: Claude Cyr
Responsável por guarda-roupa e adereços: Marie-France Larivière
Chefe maquinista: Paul Bourque
Assistente da responsável dos figurinos e adereços: Sylvie Courbron
Estagiário de produção: Claudia Couture
Consultor técnico: Tobie Horswill
Concepção de figurinos: Nicole Gadoury, Valérie Couture, Stéban Sanfaçon
Realização de perucas e postiços: Joëlle Monty e Richard Hanson; Rachel Tremblay
Consultor para o movimento: Harold Rhéaume
Construção do décor: Les Conceptions Visuelles Jean-Marc Cyr
Música adicional: Youkali/ Musique de Kurt Weill, textos de Roger Fernay
Obra utilizada com a autorização da European American Music Corporation, agente para The Kurt Weill Foundation for Music, Inc. e agente para Heugel S.A.
Imagens do Espectáculo do Exército Canadiano: Fox Movietonews, Inc.
Tradução para cantonês: Truong Chanh Trung
Produção: Ex Machina
Co-produção: Bergen Internasjonale Festival, Bergen
BITE: 05, Barbican, Londres
Centre Cultural de Belém, Lisboa
Festival de Otono, Madrid
Festwochen / Berliner Festspiele
Kampnagel, Hamburgo
Le Festival de théâtre des Amériques, Montréal
Les Francophonies en Limousin, Limoges
Pilar de Yzaguirre – Ysarca Art Promotions, Madrid
Schauspielhaus Zürich / Zürcher Festspiele"
Teatr Dramatyczny, Varsóvia
Zagreb World Theatre Festival, Croácia
Produtor delegado, Europa, Japão: Richard Castelli
Adjunto do produtor delegado, Europa, Japão: Sarah Ford, Florence Berthaud
Produtor delegado, Reino Unido: Michael Morris
Produtor delegado, Américas, Ásia (excepto Japão), Oceânia, Nova Zelândia: Menno Plukker
Produtor da Ex Machina: Michel Bernatchez
Agradecimentos: Michel Gosselin, Jeffrey Hall
Ex Machina é apoiada pelo Conseil des Arts du Canada, o Ministério dos Negócios Estrangeiros e do Comércio Internacional do Canadá, o Conseil des Arts et des Lettres do Quebeque e a Cidade do Quebeque.
[1] Conceito desenvolvido pelo dramaturgo Antonin Artaud em o "Teatro e seu Duplo" (Le Théâtre et son Double, 1935), considerado um dos livros mais influentes do teatro do século XX. Robert Lepage incorpora esta linguagem, dando-lhe corpo nas suas peças: Em ‘A Trilogia dos Dragões’, esta fórmula está novamente presente.