Aki Takase movia-se no mundo do free-jazz; Maria João cantava ainda muito presa aos standards norte-americanos e o contacto com a pianista marcou a viragem para um estilo e repertório mais seus. Com Aki, Maria João descobriu que é possível fazer tudo!
Largou o quinteto e embarcou pela Europa fora, com a sua voz, com Aki e o piano. Durante 5 anos, enlouqueceram os públicos dos festivais de jazz europeus, arriscando tudo na corda bamba dos improvisos, umas vezes com, outras vezes sem, o contrabaixista Niels Orsted-Pedersen.
Pelo caminho, lançaram dois discos, gravados ao vivo: Looking for Love, em 1987, gravado no festival de jazz de Leverkusen e Alice, em 1990, gravado no Festival de Nürnberg. Em 1990, nasceu o seu filho, João Carlos e a vontade de rumar em outras marés começou a fazer-se sentir em Maria João. Chegava ao fim o ciclo de loucuras com Aki Takase e a cantora regressava à pátria, envolvendo-se num projecto com o grupo português Cal Viva.
Cal Viva
Do Cal Viva faziam parte conceituados músicos portugueses como José Peixoto, Carlos Bica, José Salgueiro e Mário Laginha, e o resultado da colaboração saiu num disco intitulado Sol, em 1991, onde a música tradicional portuguesa e o jazz se fundiram em sons bem originais. Seguiram-se então novas tournées com o grupo, divertidas, mas duríssimas. Do projecto Cal Viva não saiu mais nenhum trabalho discográfico e, no ano seguinte, os desafios foram outros.
Outras experiências
Em 1992, Maria João trabalhou com a cantora Lauren Newton e em quarteto com Christof Lauer, Bob Stenson e Mário Laginha, participando igualmente no Europália e na Expo de Sevilha.
O prestígio alcançado pela cantora, foi, mais uma vez, confirmado no contrato com a famosa editora de jazz, Verve.
Maria João e Mário Laginha
O disco Danças, lançado em 1994, já pela Verve, marcou o início de uma nova fase e de um novo duo, que persiste até hoje, com o pianista Mário Laginha. Após vários anos de projectos comuns com uma zanga feia pelo meio – Laginha fez parte do quinteto inicial, voltando a trabalhar com a cantora em 1991, no grupo Cal Viva – os dois músicos empenharam-se num disco diferente, só com piano e voz.
Seguiram-se-lhe, até 2005, mais 7 discos em conjunto: Fábula, Cor, Lobos, Raposas e Coiotes, Chorinho Feliz, Mumadji (ao vivo), Undercovers e Tralha. A cumplicidade entre Maria João e Mário Laginha tem feito deste encontro um dos mais felizes da música portuguesa, bem comprovado na originalidade e consistência de um duo com mais de dez anos.
Para além dos trabalhos discográficos, João e Laginha têm sido convidados a integrar diversos projectos, com destaque para: o espectáculo “Raízes Rurais, Paixões Urbanas”, encenado por Ricardo Pais, em 1998, onde o fado e a música folclórica e tradicional se cruzavam com a música do duo; a colaboração com a companhia do coreógrafo Paulo Ribeiro, onde temas dos discos Fábula e Cor foram transportados para a linguagem da dança, num espectáculo estreado no P.O.N.T.I, em 1999 e intitulado “Ao Vivo”; a participação na curta-metragem “Canção Distante”, de Pedro Serrazina, no âmbito do Porto 2001 – Capital Europeia da Cultura; o espectáculo “O Movimento do Som. O Som do Movimento”, em 2002, projecto de fusão entre a música e as Artes do Budô (artes marciais japonesas), realizado em conjunto com o Tenchi International, local onde a cantora pratica Aikido.
Colaborações e projectos
À parte do duo que forma com Mário Laginha, Maria João é frequentemente convidada a colaborar com outros músicos de grande prestígio. Em 2001 iniciou um trabalho com o grupo de Joe Zawinul, ex-teclista dos Weather Report, com o qual se apresentou ao vivo, por mais de um ano, em diversos festivais de jazz europeus.
Desde 2003 tem igualmente desenvolvido um interessante trabalho com o quarteto de sopros austríaco Saxofour, com o qual já gravou dois discos: European Christmas, e Cinco.
2003 também lhe reservou uma agradável surpresa: o convite para o cargo de directora da Escola de Música da Operação Triunfo, um concurso televisivo de revelação de novos cantores. O desafio foi aceite com enorme energia por parte da cantora, que se entregou de corpo e alma ao projecto, nas duas edições do programa.
Em 2004 Maria João foi uma das ilustres convidadas do concerto “Gil e os quatro cantos”, do músico e actual ministro da cultura brasileiro, Gilberto Gil. Neste espectáculo, integrado no aniversário da empresa Odebrecht, participaram também Susana Bacca e Paulo Flores.
Já em 2005, o dueto voltou a ser recriado num concerto de Gilberto Gil, em Monsanto, no âmbito das Festas de Lisboa.
No ano passado, a cantora foi convidada pelo guitarrista José Peixoto – amigo e colaborador de longa data – para integrar o disco Pele, com canções da sua autoria e letras de Tiago Torres da Silva. O espectáculo foi apresentado na Casa da Música, no Porto, e na inauguração do Casino Lisboa.
2007 promete ser mais um ano em grande para Maria João, que acaba de lançar um trabalho discográfico a solo. “João” é integralmente composto por canções de compositores brasileiros e tem recebido as mais calorosas críticas na imprensa especializada.
Mário João Laginha dos Santos nasceu em Lisboa, no dia 25 de Abril de 1960.
Da infância guarda bem a imagem do 1º piano vertical que recebeu aos 5 anos. Nessa altura começou a ter aulas particulares, nas quais o repertório clássico se misturava com valsas e modinhas pedidas pelo avô. Sonhava em ser pianista. Mas o sonho tinha momentos menos agradáveis como os recitais de sábado à tarde, exigidos pela escola, perante um plateia de familiares, amigos e professores: “Ó Mário João, vai lá tocar um bocadinho!” O problema é que, para além de pianista, o rapaz também não desdenhava vir a ser bombeiro ou médico...
Guitarradas
Cansado de recitais e demonstrações de menino-prodígio, Mário, o rapaz, passou o piano para 2º plano e pediu ao pai uma guitarra. Surgia Mário João Santos, o guitarrista, autodidacta, futuro Paco de Lucia português!
Rumo às Olimpíadas
Entre as cordas da guitarra e do piano havia ainda Mário Santos, o ginasta. Seis aparelhos, 4 horas de treino por dia. Se as Olimpíadas não quisessem nada com ele, havia sempre a hipótese de tirar o curso do ISEF (Instituto Superior de Educação Física) e ser professor de ginástica. Uma hipótese encarada com seriedade, não fosse o ginasta ter-se cruzado com Keith Jarrett na televisão.
Cliques
O 1º clique que fez com que Mário, o adolescente, regressasse ao piano chegou por intermédio dos Genesis. Como? Os colegas descobriram um piano no ginásio da escola. Tentavam tocar uma música daquela banda, mas não estava a correr muito bem. Mário ofereceu-se para tentar e perante o espanto dos colegas, que não suspeitavam que o amigo sabia tocar piano, a música tomou a forma desejada. Choveram elogios. Click!
O 2º e definitivo clique é da responsabilidade de Keith Jarrett. Um concerto na televisão fê-lo descobrir que era mesmo aquilo que queria fazer, tocar assim, como aquele homem que não conhecia, nem sabia porque o fascinava tanto. Tocar aquela música, que descobriu, depois, ser o tal do jazz.
À descoberta do Jazz
Foram ficando esquecidos os Black Sabath, Deep Purple, Jethro Tull, Yes, Genesis, ouvidos então abertos para essa nova música, que chegou, em disco, pelas mãos do irmão. Dedicou-se de corpo e alma ao piano, 8 horas de estudo por dia, já sem tempo para a ginástica desportiva.
Inscreveu-se na escola de jazz “Louisiana”, em Cascais, dirigida por Luís Villas Boas. Quando Villas Boas o ouviu pela primeira vez, estava a tocar um tema que tinha ouvido por Keith Jarrett. Disse-lhe: “eh pá, você é engraçado! Isso o que é? Vamos devagarinho... Você primeiro tem que estudar os clássicos, o Bud Powell, o Bill Evans...”. E foi mesmo assim...
O clássico, para melhorar a técnica
Estava decidido. A vida seria essa, a de tocar e escrever música, mesmo que algumas vozes fossem contra. Tentaram dissuadi-lo; ele respondeu inscrevendo-se primeiro na Academia de Amadores de Música e depois no Conservatório, onde teve como professores Carla Seixas e Jorge Moyano. Pretendia apenas adquirir alguns conhecimentos e melhorar a técnica, mas acabou por concluir o curso, com a classificação máxima, aos 25 anos. Muito tarde para uma carreira de pianista clássico, muito a tempo para continuar o percurso no jazz. Curiosamente, assim que terminou o Conservatório, o primeiro convite que teve, foi para tocar um concerto de Schumann, com a Orquestra Sinfónica, algo que nunca tinha imaginado fazer.
Primeiros trabalhos
O início não foi fácil. Para ganhar algum dinheiro, Mário Laginha, o pianista, viu-se obrigado a tocar num hotel às terças, quintas e sextas e a acompanhar músicos em estúdio.
O seu primeiro trabalho profissional foi no teatro, na peça “Baal”, de Brecht, no Teatro da Trindade. Mais tarde, voltou a trabalhar nessa área, acompanhando uma actriz brasileira, em canções de Kurt Weil. Pelo caminho, umas incursões na Cinemateca para acompanhar filmes mudos, ao vivo, experiência não muito satisfatória, pois tinha que tocar muito tempo sem parar, nem sempre com os melhores resultados.
Em trio, quinteto, sexteto, decateto ...
O primeiro projecto “a sério”, no jazz, deu-se com a sua integração no quinteto da cantora Maria João, inicialmente intitulado Maria João & Friends. Essa formação deu origem a dois discos: Quinteto Maria João (1983) e Cem Caminhos (1985), constituídos por standards e alguns originais.
Paralelamente, Mário Laginha fundou o Sexteto de Jazz de Lisboa, com Carlos Martins, Tomás Pimentel, Edgar Caramelo e os irmãos Pedro e Mário Barreiros. Com estes últimos actuava, com alguma regularidade, em trio. Com o Sexteto ficou ainda para a memória, o disco “Ao Encontro”(1988), existente apenas em formato LP.
Durante esses anos, Laginha foi-se libertando da interpretação de standards do jazz, explorando o seu próprio universo, criando as suas próprias composições. Um dos desafios surgiu em 1987, quando com o apoio da Fundação Gulbenkian e no âmbito do Festival Jazz em Agosto, estreou o Decateto de Mário Laginha, para o qual assinou todas as composições e arranjos.
A dois pianos...
Conjugando sempre o jazz com o clássico (terminara recentemente o curso de piano do Conservatório), Mário Laginha continuou a apresentar-se esporadicamente em festivais de Música Clássica.
Aconteceu nessa altura a formação do duo com Pedro Burmester, um daqueles amigos difíceis de encontrar. Juntos realizaram espectáculos por todo o país, tendo sido gravado o concerto de Dezembro de 1993, no Centro Cultural de Belém, que deu origem ao disco “Duetos”. O duo mantém-se até hoje, embora sejam mais raras as suas apresentações.
Início dos 90’s
Em 1991, juntou-se ao grupo Cal Viva, do qual faziam parte Carlos Bica, José Peixoto e José Salgueiro, reencontrando-se novamente com Maria João, também convidada do grupo. Gravaram “Sol” e fizeram tournées intensas, mas divertidas, por todo o país e no estrangeiro.
Entre 1990 e 1992 Mário Laginha manteve ainda um Quarteto e um Quinteto, com os quais actuou regularmente pelo país.
Já em 1993 fundou com o pianista João Paulo Esteves da Silva, o grupo Almas & Danças, com base em gostos comuns e em algumas composições conjuntas.
“Hoje”, o primeiro disco assinado com o seu nome, é editado em 1994, com a participação de Julian Argüelles (saxofone), Sérgio Pelágio (guitarra), Bernardo Moreira (contrabaixo) e Alexandre Frazão (bateria). Dos 7 temas do disco, 6 são da sua autoria e 1 assinado por Argüelles.
Maria João e Mário Laginha
O disco Danças, lançado em 1994, já pela Verve, marcou o início de uma nova fase e de um novo duo, que persiste até hoje, com a cantora Maria João. Passados vários anos da primeira colaboração, com uma zanga pelo meio, os dois músicos empenharam-se num disco diferente, só com piano e voz. Seguiram-se-lhe, até 2005, mais 6 discos em conjunto: Fábula, Cor, Lobos, Raposas e Coiotes, Chorinho Feliz, Mumadji (ao vivo), Undercovers e Tralha. A cumplicidade entre Maria João e Mário Laginha tem feito deste encontro um dos mais felizes da música portuguesa, bem comprovado na originalidade e consistência de um duo com mais de dez anos. Para além dos trabalhos discográficos, João e Laginha têm sido convidados a integrar diversos projectos, com destaque para: o espectáculo “Raízes Rurais, Paixões Urbanas”, encenado por Ricardo Pais, em 1998, onde o fado e a música folclórica e tradicional se cruzavam com a música do duo; a colaboração com a companhia do coreógrafo Paulo Ribeiro, onde temas dos discos Fábula e Cor foram transportados para a linguagem da dança, num espectáculo estreado no P.O.N.T.I, em 1999 e intitulado “Ao Vivo”; a participação na curta-metragem “Canção Distante”, de Pedro Serrazina, no âmbito do Porto 2001 – Capital Europeia da Cultura; o espectáculo “O Movimento do Som. O Som do Movimento”, em 2002, projecto de fusão entre a música e as Artes do Budô (artes marciais japonesas), realizado em conjunto com o Tenchi International, local onde a cantora pratica Aikido.
A dois pianos... no jazz
Em Agosto de 1999, num concerto integrado no Festival “Jazz em Agosto”, Mário Laginha apresentou-se em duo com o pianista Bernardo Sassetti . A fusão dos dois estilos conquistou de imediato o público e, essa primeira experiência resultou em muitas mais. Desde então, têm realizado concertos um pouco por todo o país, culminando com a gravação de um disco de originais (Mário Laginha e Bernardo Sassetti), editado em 2003, e de Grândolas (2004), disco integrado na comemoração dos 30 anos do 25 de Abril.
À parte dos seus projectos mais regulares, Mário Laginha é frequentemente convidado a participar, quer como pianista, quer como compositor, em importantes eventos culturais.
Gravou o seu primeiro trabalho a solo, CANÇÕES E FUGAS, em 2005, projecto que foi apresentado em estreia absoluta no grande auditório da Culturgest, e que tem lançamento previsto para Março de 2006.
Mário Laginha & Maria João
Ø Cinema São Jorge
Ø 19 de Março
Ø 22h00
Ø Bilhetes: 15€